Atenção, investidores! Especialistas alertam: investir em títulos não é simplesmente "comprar o índice", é preciso estar atento aos riscos de duração e de rendimento.
Para investidores que desejam preservar o valor de seu portfólio no curto prazo, fundos de títulos não são sinônimo de “comprar o mercado” e poder relaxar. Especialistas apontam que fundos de títulos amplos, representados pelo Bloomberg U.S. Aggregate Bond Index (Agg), embora apresentem menor risco de crédito, ainda enfrentam riscos de taxa de juros que não podem ser ignorados, além de rendimentos relativamente baixos.
A participação de títulos do Tesouro sobe para 46%
O Agg é majoritariamente composto por títulos do Tesouro dos EUA e outras dívidas de grau de investimento, portanto, o risco de inadimplência é baixo. No entanto, Nick Lloyd, vice-presidente da Novare Capital Management, observa que, à medida que a participação dos Treasuries americanos na carteira aumentou significativamente nos últimos anos, os investidores acabam por manter cada vez mais ativos de renda fixa com os menores rendimentos. Atualmente, os títulos do Tesouro dos EUA respondem por 46% do índice, e esses títulos lastreados pelo governo americano são vistos como “taxa de juros livre de risco”, mas os retornos também são limitados.
Na visão de Lloyd, se o investidor busca maiores retornos de sua alocação em renda fixa, pode considerar ampliar sua exposição para abranger um universo maior de títulos, incluindo dívidas de menor classificação, ou optar por fundos com maior peso em títulos corporativos, elevando o nível geral de cupom. Contudo, esse tipo de ajuste também implica aceitar riscos de crédito mais elevados.
Risco de duração não pode ser ignorado
Além dos retornos mais baixos, investidores em Agg também precisam atentar para o risco de taxa de juros. Atualmente, o índice possui uma duração de 5,7 anos, o que significa que, caso as taxas de juros subam 1 ponto percentual, fundos que o acompanham podem teoricamente recuar 5,7%. Para investidores cujo objetivo é preservar o valor, esta sensibilidade é especialmente relevante.
As expectativas recentes de juros tornam esse risco ainda mais destacado. Segundo a ferramenta FedWatch da CME, até terça-feira, traders atribuíram 87% de probabilidade de o Federal Reserve aumentar os juros em pelo menos 25 pontos-base até o final do ano. Nesse cenário, a sensibilidade do portfólio de títulos às taxas de juros pode ser um fator chave para o retorno.
Diversificação ainda é necessária
Especialistas recomendam que, antes de ajustar a carteira em razão de mudanças nas taxas de juros, investidores consultem profissionais financeiros e avaliem suas necessidades para decidir se, além do Agg, não seria o caso de compor o portfólio com outros títulos capazes de reduzir a sensibilidade global a juros, ou até mesmo fazer hedge contra a inflação. Laipply enfatiza que o cerne do investimento em renda fixa não está em apostar em uma única classe de ativos, mas sim em diversificar amplamente as fontes de renda e compreender verdadeiramente a estrutura de risco assumida.
Comentário da FX168
O ponto central desta notícia é alertar o mercado: mesmo fundos de índice de renda fixa considerados “conservadores” não estão livres de riscos, especialmente em fases de retomada nas expectativas de alta das taxas de juros. Produtos como Agg, devido à elevada presença de títulos do Tesouro, apresentam risco de crédito baixo, porém rendimentos mais contidos; por outro lado, a volatilidade de preços provocada pela duração pode ser ampliada em cenários de expectativas de alta dos juros. No mercado de renda fixa, o foco de curto prazo ainda está em torno do rumo da política do Federal Reserve e das mudanças na curva de rendimentos, sendo importante que o investidor reavalie a lógica de alocação focando tanto em “rentabilidade” quanto em “volatilidade”.
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