Presidente da “maior gestora de ativos global”: investidores subestimam os riscos, mesmo que a guerra no Irã termine em breve
O presidente da BlackRock emitiu um alerta: o mercado pode estar subestimando seriamente o impacto econômico da guerra no Irã.
De acordo com a Bloomberg, o presidente da BlackRock, Rob Kapito, afirmou nesta quinta-feira que, mesmo que a guerra no Irã termine em breve, os impactos sobre o crescimento econômico e a inflação ainda persistirão, e há um risco evidente de que as expectativas otimistas dos investidores estejam significativamente subestimadas. Ele alertou que o preço do petróleo pode ainda disparar para US$ 150 por barril, pois as cadeias de suprimentos afetadas precisarão de tempo para retornar ao funcionamento normal.
O presidente da Apollo Global Management, Jim Zelter, também emitiu um aviso no mesmo evento, afirmando que um conflito prolongado aumentará significativamente o risco de recessão na economia dos Estados Unidos e ameaçará o ciclo de crédito. Ele destacou que os consumidores americanos já mostram sinais claros de pressão financeira, com a confiança em queda contínua.
Essas declarações intensificam as preocupações do mercado sobre o otimismo excessivo dos investidores. Desde o início da guerra, há quase um mês, o índice S&P 500 caiu menos de 5%, enquanto ativos tradicionais de proteção como ouro e títulos do Tesouro americano tiveram desempenho destoante das tendências históricas.
Descompasso entre preços de mercado e padrões históricos
Kapito afirmou no Seminário de Finanças e Inovação Ásia-Pacífico em Melbourne que a reação atual do mercado ao risco da guerra no Irã difere significativamente da experiência histórica.
Ele ressaltou que, em conflitos similares anteriores, investidores costumavam comprar títulos americanos de curto prazo, adquirir ouro e operar vendido no mercado de ações. Contudo, desta vez, essas estratégias tradicionais de defesa não funcionaram como era esperado — o ouro já caiu cerca de 15%, os títulos americanos caíram devido à preocupação com inflação causada pela alta do petróleo, e o índice S&P 500 teve uma queda inferior a 5%.
Kapito afirmou que sua principal preocupação é que os investidores não estão avaliando cuidadosamente os impactos potenciais desse conflito, estando simplesmente assumindo um resultado otimista. "Esse conflito vai durar uma semana, seis meses ou um ano — o que isso significa para as empresas que eu possuo?", disse ele.
Mesmo com o fim da guerra, o impacto econômico não desaparece rapidamente
Kapito alertou que, mesmo que a guerra termine amanhã, o preço do petróleo ainda pode subir para US$ 150 por barril, pois as cadeias de suprimentos impactadas precisarão de tempo para retornar à plena capacidade.
Ele estimou ainda que esse conflito pode reduzir o crescimento econômico em até dois pontos percentuais e impulsionar a inflação de modo similar. Essa avaliação sugere que o preço atual do mercado em relação ao impacto da guerra pode ainda não refletir profundamente as consequências permanentes da interrupção das cadeias de suprimentos na economia global.
A Bloomberg já havia reportado que estrategistas do JPMorgan também apontaram que os investidores demonstram uma complacência excessiva diante da guerra no Irã.
Apesar desses alertas sobre riscos de curto prazo, Kapito disse que mantém uma visão otimista para o longo prazo. Ele considera o desenvolvimento da inteligência artificial e o crescimento dos mercados privados como importantes fatores de vento a favor para investidores, acreditando que essas tendências estruturais darão suporte contínuo ao mercado.
Confiança do consumidor americano sob pressão e risco de recessão em alta
Jim Zelter, da Apollo, focou seu olhar sobre o consumo nos Estados Unidos. Segundo ele, os consumidores, que sustentaram a economia americana nos últimos anos, agora já mostram sinais claros de pressão financeira — nos dois primeiros meses deste ano, a confiança do consumidor continuou a enfraquecer e uma nova alta dos preços do petróleo pode corroer ainda mais o poder de compra.
"Isso não é um choque de juros, mas sim um impacto na confiança de consumo da maior economia mundial", disse Zelter. Ele alertou que, se o conflito persistir, o risco de recessão nos EUA aumentará de forma significativa, e o ciclo de crédito enfrentará ainda mais pressão.
Aviso Legal: o conteúdo deste artigo reflete exclusivamente a opinião do autor e não representa a plataforma. Este artigo não deve servir como referência para a tomada de decisões de investimento.
Talvez também goste
Capacidade de engenharia de "nível foguete" pode causar uma revolução? Elon Musk afirma: SpaceX (SPCX.US) possui vantagens no setor de IA que empresas como Google não conseguem alcançar
O CEO da SpaceX, Elon Musk, acredita que, graças a uma vantagem competitiva única, sua empresa pode alocar capital de forma mais eficiente do que os grandes gigantes da computação em nuvem.


O bull market da IA entra na "era da realização"! Morgan Stanley e JPMorgan preveem o S&P em 8.000 pontos; setor de semicondutores e mercado de ações da Coreia registram forte recuperação, confirmando "onda de crescimento dos lucros".
Recentemente, dois gigantes financeiros de Wall Street — Morgan Stanley e JPMorgan — publicaram relatórios de pesquisa de forma coordenada, afirmando que o principal motor para a continuação da alta do S&P 500 está mudando da expansão de avaliação para a revisão positiva dos lucros e a concretização da comercialização da IA.

Cautela coletiva em Wall Street! Resumo mais recente dos relatórios 13F: líderes de tecnologia e setor de IA mostram divergências nas alocações, batalha entre posições compradas e vendidas está acirrada
Os arquivos trimestrais 13F divulgados pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) mostram que, no segundo trimestre deste ano, os investidores institucionais reduziram levemente suas posições em setores-chave como semicondutores, infraestrutura de inteligência artificial (IA) e grandes ações de tecnologia, sem apresentar sinais claros de grandes apostas unilaterais.

