Bloom Energy: Sem medo de preocupações com atrasos, aproveitando os benefícios da falta de energia causada pela inteligência artificial?
Após o fechamento do mercado em 28 de julho de 2026,Bloom Energydivulgou os resultados do segundo trimestre de 2026. Em meio a preocupações do mercado com possíveis atrasos de projetos de clientes importantes, que poderiam desacelerar o ritmo das entregas e impactar o reconhecimento de receitas no curto prazo, a Bloom Energy ainda assim apresentou um balanço surpreendentemente acima das expectativas e continuou a elevar o guidance para o ano de 2026, dissipando as dúvidas do mercado.
Especificamente:
① Receita muito acima do esperado, entregas de SOFC permanecem fortes: Neste trimestre, a receita total atingiu US$ 1,07 bilhão, superando amplamente a expectativa do mercado, que era de US$ 830 milhões. O principal motor desse resultado acima do esperado continua sendo o forte aumento na receita de produtos (vendas diretas de células de combustível SOFC), que chegou a US$ 940 milhões, um crescimento anual de 215%, significativamente acima do esperado de US$ 680 milhões.
Supondo que o preço médio dos produtos (ASP) caiu moderadamente em cerca de 5% em relação ao ano anterior, estimamos que o volume de entregas foi de aproximadamente 308MW, um aumento anual de cerca de 232%. O forte volume entregue neste trimestre dissipou diretamente as preocupações do mercado quanto à capacidade de ramp up (execução) da empresa e o risco de atraso de grandes pedidos já assinados.
② Efeito de escala continua, margem bruta aumenta de forma estável: Neste trimestre, a margem bruta foi de cerca de US$ 360 milhões, com margem bruta subindo 3,4 pontos percentuais sequencialmente, para cerca de 33,4%, principalmente devido à elevação da margem bruta tanto de produtos quanto de serviços.
a. Redução de custos impulsiona margem bruta de produtos continuamente acima do esperado:A margem bruta dos produtos aumentou cerca de 2,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, chegando a 36,5%, sendo o principal fator para que a margem bruta total superasse as expectativas, graças à rápida escalada de produção que liberou o efeito de escala — custos de materiais, mão de obra e fabricação continuam caindo.
No quesito precificação, como a empresa entrega valor agregado e não commodities, os preços refletem totalmente o que o cliente mais valoriza — “time to power” (tempo até obtenção de eletricidade) e capacidade técnica do sistema, e a capacidade contínua de redução de custos deve sustentar o aumento da margem bruta dos produtos no futuro.
b. Margem bruta dos serviços também melhorou bastante: A margem bruta dos serviços saltou do mínimo histórico (-21%) na época do IPO para 19% neste trimestre, um aumento de 5,4 pontos percentuais na comparação trimestral, marcando o quinto trimestre consecutivo da empresa com margem de serviços em dois dígitos.
A melhora das margens se deve à maior estabilidade operacional das unidades em operação, ao aumento da vida útil dos stacks e ao efeito de escala, sendo que a administração acredita que mantendo margens acima de 20% no longo prazo é viável.
A ampliação da vida útil dos stacks é o principal fator para o aumento da margem bruta dos serviços — o intervalo de substituição dos stacks melhorou de 9 meses em 2018 para cerca de 5 anos, sendo que eventuais questões de durabilidade devem aparecer apenas a partir de 2028-2029.
A receita de serviços acompanhará o crescimento do volume instalado nos últimos anos, e o mecanismo de reajuste anual de preços embutido nos contratos sustentará a expansão das margens no curto prazo.
③ Alavancagem operacional liberada, margem operacional sobe consideravelmente: Com o forte crescimento de entregas de produtos (em especial SOFC para data centers), receita e lucro bruto cresceram de forma robusta. Ao mesmo tempo, devido ao efeito de alavancagem operacional, houve um impulso direto no lucro operacional, que chegou a US$ 180 milhões, com margem operacional subindo 7,5 pontos percentuais, para 18,4%.
Enquanto a receita cresceu 166% em relação ao ano anterior, as despesas operacionais cresceram apenas 48%, resultado da liberação estrutural da alavancagem operacional — base de P&D e infraestrutura praticamente fixas, sem grandes aumentos em gastos administrativos para cada novo GW entregue; SG&A, operações de serviço e supply chain são mantidos via automação e análise de dados, crescendo em tecnologia e não em pessoal. A administração declarou que, embora os investimentos em P&D e gestão continuem, as despesas crescerão bem abaixo da receita, com alavancagem operacional sendo liberada continuamente.
④ Guidance para todo 2026 novamente revisado para cima:
Após fortes entregas no segundo trimestre, a empresa aumentou novamente as projeções para todo o ano de 2026:
A expectativa de receita total subiu para US$ 3,9-4,2 bilhões (aumento anual de 93%-108%), com entregas de produtos SOFC de cerca de 1,14-1,25GW (estimativa baseada no guidance e ASP), prevendo-se entregas de 606-716MW no segundo semestre, uma alta sequencial de 14%-34%, acima do guidance fornecido no trimestre anterior (de cerca de 0,9-1GW), dissipando dúvidas sobre impacto de atrasos em grandes pedidos no reconhecimento de receitas de 2026.
A margem bruta non-GAAP anual deverá manter-se em um nível elevado de 34%, implicando margem non-GAAP de cerca de 34,8% para o segundo semestre (de acordo com nossos cálculos), superior à deste trimestre (34,3%), mais uma vez fruto do efeito de escala, redução de custos técnicos e de materiais nas margens de produtos, e com margens de serviços também elevadas.
O lucro operacional non-GAAP foi elevado para US$ 800-900 milhões, correspondente a uma expectativa de US$ 430-530 milhões apenas no segundo semestre, com margem operacional de 20,7%-22,3% (neste trimestre, foi 22,5%). Com entregas ainda crescendo sequencialmente no segundo semestre, a margem operacional permanece em patamar elevado, confirmando a contínua melhora na rentabilidade da empresa.

Opinião do Analista:
No geral, diante das preocupações do mercado com possíveis atrasos em projetos de grandes clientes, que poderiam desacelerar as entregas e o reconhecimento de receitas recentes, a Bloom Energy entregou um forte balanço e voltou a elevar as projeções para 2026, transmitindo grande confiança ao mercado.
O analista já vinha destacando que a lógica de investimento da BE passou por uma mudança fundamental — saindo da fase de “validação tecnológica” para a fase de “validação do ramp up de capacidade”.
Na fase de validação tecnológica, a principal questão era: “A tecnologia SOFC é confiável? Os clientes vão utilizá-la?”; agora, a BE já conta com grande apoio de CSP e um pipeline sólido de pedidos em carteira.
Já as principais vantagens da Bloom Energy frente a outras soluções podem ser resumidas em:
① Vantagem do “Time to Power” e “arbitragem temporal” absoluta:
Com base nos registros reais, a Bloom Energy entrega muito mais rápido que alternativas tradicionais. Por exemplo, no projeto Oracle (o primeiro grande cliente de computação em nuvem direto), levou apenas 55 dias para energizar o data center. Essa entrega em “poucos meses” supera o grande entrave dos data centers de IA, cujas conexões à rede tradicional podem levar anos.
Embora o LCOE (custo nivelado de eletricidade) de turbinas a gás ou redes de energia de grande porte da América do Norte ainda seja mais competitivo, a Bloom não concorre apenas no LCOE puro.
Num exemplo de data center AI full stack de 1GW: mesmo pagando alguns bilhões de dólares em custos de eletricidade e equipamentos premium na solução da BE, o benefício de antecipar a operação em um ano pode trazer receitas extras de tokens de US$ 12 a US$ 24 bilhões. Com menos de US$ 500 milhões em sobrepreço, conquista-se mais de US$ 10 bilhões em receita bruta antecipada — uma “arbitragem temporal” com ganho certo.
② Evita “efeito NIMBY” e reduz muito a burocracia de aprovação:
Com o aumento das exigências ambientais das comunidades, a aprovação de data centers em relação a ruído, ar e água tem se tornado mais difícil. Células de combustível da Bloom Energy, por serem livres de combustão, emitem poluentes em quantidade insignificante, consomem pouquíssima água e têm ruído operacional menor que de um ar-condicionado comum. Esse perfil facilita licenciamento ambiental e aceitação nas comunidades.
Por isso, alguns clientes cancelaram pedidos de turbinas e motores convencionais para adotar a solução Bloom (Nebius, por exemplo, fez acordo em modelo semelhante neste trimestre).
③ Compatibilidade nativa com arquitetura DC 800V, alinhada à tendência de IA:
As células da Bloom Energy naturalmente fornecem energia DC 800V diretamente. Em um cenário de ampliação de geração local e adoção crescente de arquitetura DC em data centers, a BE tem vantagem e reduz demanda por conversores e transformadores extras, economizando energia.
Ao mesmo tempo, a Bloom Energy, com a entrada de investidores como brookfield, resolve a necessidade de capital dos proprietários; basta pagar a eletricidade mensalmente. Em junho, brookfield ampliou a linha de crédito para US$ 25 bilhões, possibilitando financiamentos via contratos de compra de energia (PPA) - sem grande investimento de capital inicial pelo cliente.
Isto também reflete diretamente no volume e mix de pedidos da Bloom Energy:
① Volume de pedidos permanece elevado:
Até o final de 2025, os pedidos em carteira da BE bateram recorde de US$ 20 bilhões, garantindo alta visibilidade para os próximos dois anos. Na parte de produtos, são cerca de US$ 6 bilhões em pedidos, alta anual de 150% e capacidade de 2GW de sistemas SOFC, suficiente para cobrir as metas de 2026 (900MW-1GW) e já iniciar a reserva da capacidade para 2027.
Na parte de serviços, são cerca de US$ 14 bilhões, crescendo bastante sobre o ano anterior, em quase totalidade de contratos longos de operação e manutenção. Esses contratos normalmente seguem o prazo dos PPAs (10-15 anos), garantindo receitas estáveis por muito tempo.
Em 2026, o ritmo de novos pedidos acelerou mais ainda. Só no primeiro semestre de 2026, foram fechados diversos pedidos de grande porte (incluindo opção AEP de 900MW, Oracle 1,2GW, Nebius 328MW, etc.), totalizando mais de US$ 8 bilhões e cerca de 2,4GW de capacidade instalada (podendo chegar a 4GW considerando acordos-framework), já superando o estoque de pedidos do final de 2025 (2GW). Assim, o volume de pedidos cobre até a capacidade a ser liberada em 2028.

② Mix de pedidos também está melhorando continuamente:
a. Oracle: de “projeto piloto” a “equipamento padrão”:Em julho de 2025 assinou o primeiro piloto pequeno (entrega de 100MW em 55 dias); em abril de 2026, ampliou para plano de 2,8GW, migrando totalmente projetos de turbinas a gás+backup a diesel para SOFC da BE. Isso mostra que SOFC da BE já pode ser fonte de base para grandes data centers.
b. Clientes antigos mantendo recompras frequentes:AEP passou de acordo-framework de 100MW para 900MW (nove vezes mais), brookfield foi de US$ 5 bi para US$ 25 bi (cerca de 8GW) em parceria. A recompra constante atesta a viabilidade técnica da solução.
Assim, mantido o apetite dos CSP e alta demanda dos data centers de IA, ao absorver as certezas do lado da demanda (pedidos em alta e recompra pelos CSP), o foco do mercado sai da “demanda é real?” para “a oferta vai acompanhar?”.
① Preocupação de mercado com atrasos em grandes pedidos:
a. Project Jupiter (projeto Oracle Novo México)
O data center AI hiper-escala de 2,45 GW da Oracle irá, por questão ambiental e preservação de água, abandonar turbinas a gás e geradores diesel para adotar totalmente células de combustível Bloom Energy, criando uma microrede pura.
Preocupação do mercado: o gasoduto associado precisa de aprovação da FERC (Federal Energy Regulatory Commission) — Section 7, temendo atrasar o abastecimento e o cronograma do data center.
Mas o analista acredita que o risco de inadimplência é muito baixo, por razões como:
Pode ser substituído no início: O consumo inicial em testes é pequeno e pode ser suprido por caminhões, sem aguardar a conclusão total do gasoduto. A análise da FERC é processual e não atrasou o projeto, que segue em obras.
Buffer suficiente na entrega: O impacto nas entregas em 2026 é mínimo; as maiores entregas estão previstas para 2027-2028, com tempo de sobra.
Flexibilidade de alocação: O contrato da BE segue o Master Service Agreement (MSA), não vinculado a um único site. Se houver atraso no gasoduto, a Oracle pode realocar os equipamentos para outros data centers, e o financiador segue obrigado por contrato a receber os equipamentos — o risco de cancelamento é mínimo.
b. Project Jade
A BE firmou contrato direto com a American Electric Power (AEP) para fornecer 1GW de SOFC (limite do acordo, primeiros 100MW entregues).
O mercado temia que, após a saída da Crusoe (parceira de construção), o projeto fosse suspenso e que grandes pedidos fossem cancelados.
Na prática, o projeto segue em ritmo acelerado:
O fornecedor Black Hills já esclareceu publicamente que o projeto continua e os envolvidos estão negociando diretamente com o cliente final, sem a intermediária Crusoe, que saiu.
A estrutura contratual é sólida: o contrato é direto entre BE e AEP, não incluindo a Crusoe. Enquanto houver demanda computacional, a parceria segue, sem impactos relevantes para execução do pedido. Além disso, as cláusulas de proteção da BE (MSA + obrigação de compra do financiador) são salvaguarda extra.
② Receios do mercado quanto à cadeia de suprimentos:
O fundo short Hunterbrook questionou se o suprimento global de óxido de escândio (um raro earth usado como matéria-prima) seria suficiente para os planos de expansão da BE.
Mas a Bloom Energy respondeu que, apenas por meio de reciclagem dos resíduos industriais (de titânio, níquel, cobalto, urânio), poderia produzir várias centenas de toneladas de óxido de escândio ao ano — suficiente para suportar capacidade de até 25GW ao ano,sem depender de fontes únicas da China.
③ Riscos na expansão de capacidade:
Ainda existem dúvidas sobre o ritmo de expansão da capacidade da BE e risco de inflação do Capex. Mas a empresa afirma contar com algoritmos sofisticados, permitindo previsões de demanda de capacidade baseadas no cronograma dos projetos, garantindo nunca ser gargalo no ritmo dos clientes. A gestão enfatiza que, pelo que vêem, a capacidade nunca limitará o avanço da Bloom Energy.
O modelo da empresa é similar ao de eletrônicos de consumo e semicondutores: enquanto houver demanda de mercado, continuam ampliando capacidade.
Assim, o analista acredita que, até o momento, os riscos de execução e suprimento para a Bloom Energy são controláveis. Sob a hipótese conservadora — CSP mantendo alto Capex, escassez de energia em data centers de IA persistindo, gargalos nos principais componentes de turbinas a gás sem solução rápida (manutenção do ciclo longo de entregas) — SOFC continuará tendo janela favorável de mercado.
Na parte de produção, a empresa espera chegar a mais de 5GW de capacidade anual até 2030 (guidance oficial é 5GW, cenário otimista pode chegar a 8-10GW).
O futuro da valorização da empresa dependerá dos seguintes fatores:
Forças de alta: Se continuar o déficit de energia para IA na América do Norte, e a gestão conseguir remover gargalos internos (como processos de redução dos stacks) e externos na cadeia, podendo concretizar8-10GWno plano de expansão otimista.
Riscos de baixa: Se CSP contrair drasticamente os investimentos, ramp up atrasar severamente, ou concorrentes lançarem tecnologias de nova geração de baixo custo (como células com base metálica) realmente disruptivas, o valuation pode sofrer correção intensa.



- FIM -
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