Demanda por IA impulsiona o maior crescimento em quinze anos, receita da Intel no segundo trimestre sobe 25% e supera expectativas, projeção mantém forte alta, ações sobem no after-market | Relatório de Resultados
No segundo trimestre, a receita da Intel superou as expectativas dos analistas em quase 12%, registrando um aumento anual de 25%. As receitas do setor de data centers e de IA aumentaram 59% em relação ao ano anterior, quase quadruplicando o ritmo do primeiro trimestre. Já a receita da divisão de fabricação registrou crescimento de 31%, quase o dobro do ritmo do primeiro trimestre. A previsão para o terceiro trimestre aponta um aumento anual entre 15% e 23%, superando as expectativas do mercado em pelo menos 5% e podendo chegar a mais de 10%. Após o fechamento do mercado, as ações chegaram a subir mais de 10%.
A Intel apresentou resultados significativamente acima das expectativas do mercado, refletindo que a crescente demanda por computação de IA está impulsionando os gastos em data centers e ajudando a empresa a conquistar uma aguardada virada.
Na quinta-feira, 23 (horário da costa leste dos EUA), após o fechamento do mercado americano, a Intel divulgou resultados do segundo trimestre de 2026 com receita quase 12% acima do que analistas projetavam, acelerando o crescimento anual para 25%, o maior ritmo dos últimos quinze anos. Dentre os destaques, o faturamento da divisão de data centers aumentou quase 60% na comparação anual, mais que o dobro do crescimento total de receita.
Mais importante, a Intel manteve, em seu guidance para o terceiro trimestre, um crescimento de receita de dois dígitos, o que representa alta de mais de 15% até quase 23% em relação ao ano anterior — o intervalo como um todo supera as expectativas dos analistas. Pela mediana da faixa, a Intel projeta receita de cerca de US$16,3 bilhões para o terceiro trimestre, mais de 8% acima do consenso, e ligeiramente superior ao realizado no segundo trimestre, sinalizando que a gestão não está pessimista quanto à demanda na segunda metade do ano.
Antes da divulgação do balanço, as ações da Intel caíram mais de 2% no pregão regular de quinta-feira, mostrando que o mercado ainda estava cauteloso em relação aos fundamentos da empresa. Após os resultados, o papel disparou mais de 10% no after-market. Essa virada brusca indica que as expectativas sobre a Intel estavam baixas; e agora, tanto o resultado do segundo trimestre quanto o guidance para o terceiro trazem motivos para uma nova revisão positiva das projeções. Essa “surpresa positiva” na receita é o principal catalisador para a rápida alta das ações após o fechamento.

No entanto, os sinais do balanço ainda apontam que o foco para a Intel hoje é “restauração”, e não uma “virada definitiva”. O resultado acima do esperado comprova que demanda, execução de pedidos ou entregas superaram as expectativas, mas investidores seguirão atentos a indicadores mais profundos como margem bruta, fluxo de caixa, competitividade em data centers, iniciativas relacionadas à IA e retorno dos investimentos em foundry.
Receita do 2º trimestre supera expectativa em quase 12%: Intel traz clara “surpresa positiva”
No segundo trimestre, a receita da Intel foi de US$16,13 bilhões, contra US$14,43 bilhões estimados pelo mercado. O crescimento anual de cerca de 25% representa taxa 3,6 vezes maior que os 7% do trimestre anterior, e o maior ritmo desde o terceiro tri de 2011.
A tabela abaixo mostra a diferença entre as expectativas e os números reais ou medianos do guidance:
| Receita 2º trimestre | US$16,13 bilhões | US$14,43 bilhões | +US$1,70 bilhões | cerca de +11,8% |
| Mediana do guidance para o 3º trimestre | US$16,30 bilhões | US$15,06 bilhões | +US$1,24 bilhões | cerca de +8,2% |
Surpresas positivas dessa magnitude são raras em empresas maduras de semicondutores. Para a Intel, as maiores preocupações do mercado nos últimos trimestres vinham sendo: a sustentabilidade da recuperação dos PCs, a pressão de market share em data centers, atraso na corrida dos chips de IA, altos custos para alcançar níveis avançados de fabricação, e impacto negativo da unidade de foundry no lucro no curto prazo.
Portanto, o forte resultado no segundo trimestre indica que o negócio atual está melhor do que o mercado precificava. Seja qual for a contribuição — computação cliente, data center, edge ou outros —, a soma das receitas indica melhor desempenho em entrega, precificação ou ambiente de demanda do que previa Wall Street.
Por área de negócios:
- Data Center e Inteligência Artificial (DCAI) — Cresceu 59% na comparação anual, para US$6,3 bilhões, 2,7 vezes superior ao crescimento de 22% do trimestre anterior, evidenciando a forte demanda por IA.
- Computação Cliente (CCG) — Aumentou 13% para US$8,9 bilhões (no trimestre anterior, a alta foi de apenas 1%).
- Serviços de Foundry (Intel Foundry) — Receita aumentou 31% para US$5,8 bilhões, quase o dobro dos 16% do trimestre anterior.
Guidance do 3º tri supera o mercado de pelo menos 5% até mais de 10%
Para além dos resultados realizados, o guidance para o terceiro trimestre é mais importante para o mercado, pois define os modelos de lucros e as expectativas de avaliação para o resto do ano.
A Intel projeta receita de US$15,8 bilhões a US$16,8 bilhões para o terceiro trimestre, ambos acima do consenso de US$15,06 bilhões. Mesmo considerando o piso (US$15,8 bi), é quase 5% acima do esperado; no topo (US$16,8 bi), a surpresa chega a 11,6%.
Ou seja, a mensagem da gestão não é que o segundo trimestre foi um ponto fora da curva; é uma visão de que a demanda continuará firme no terceiro.
Em relação ao segundo tri (US$16,13 bi), o guidance do piso recua 2,0%, enquanto a mediana (US$16,3 bi) indica alta de 1,1% e o topo, alta de 4,2%.
Diante de uma indústria de semicondutores ainda marcada por divergências estruturais, a expectativa de receita estável ou em leve alta para o terceiro trimestre alivia temores do mercado quanto à demanda no segundo semestre.
Ações disparam após o pregão: mercado corrige expectativas pessimistas
Com a divulgação do balanço, as ações da Intel saltaram mais de 10% no after-hours, em contraste à queda de mais de 2% durante o pregão regular.
Isso não significa que os resultados da Intel foram absolutamente excelentes, mas sim que o mercado esperava menos. Nas semanas recentes, as ações estavam pressionadas principalmente porque:
- Desvantagem na onda de IA — Em comparação com Nvidia, AMD, etc., a Intel tem presença menos relevante na narrativa dos aceleradores de IA.
- Pressão em data centers — Mudanças nas demandas de computação de alto desempenho, servidores de IA e chips customizados pressionam o negócio tradicional de CPUs.
- Altos custos para avançar em processos — Investimento pesado em novas tecnologias pesa sobre margem e geração de caixa livre no curto prazo.
- Incerteza no negócio de foundry — O Intel Foundry ainda consome muito investimento, com viabilidade, utilização e rentabilidade pendentes de comprovação.
- Dúvidas na recuperação do ciclo de PCs — A recuperação de demanda após ajuste de estoques ainda levanta questionamentos sobre sua força e sustentabilidade.
Nesse cenário, bastou que receita e guidance viessem melhores que o esperado para acionar recompra de vendidos e reprecificação dos comprados. A alta de mais de 10% reflete uma “correção de expectativas” — e não uma convicção de que a transformação da Intel já foi bem-sucedida.
Reforçando: o balanço mostra que o momento ainda é de reparação, não reversão total. O superaquecimento na receita comprova uma conjuntura melhor, mas investidores seguem atentos a margens, fluxo de caixa, competitividade em data center, avanços em IA e retorno das apostas em foundry.
Guidance do 3º tri reforça confiança da gestão, mas mantém flexibilidade
A faixa projetada de receita para o terceiro trimestre é larga (US$15,8 a US$16,8 bilhões), indicando por um lado confiança e, por outro, que a visibilidade no setor ainda não é plena.
O ciclo de pedidos nos semicondutores é impactado por múltiplos fatores, como estoques dos clientes, demanda final, orçamento de TI, gastos de capital em nuvem, ciclos de eletrônicos de consumo e ambiente macroeconômico. O guidance acima das expectativas mostra momento favorável, mas a amplitude da faixa protege contra volatilidades na demanda.
Para o investidor, o que importa no 3º tri é saber se a empresa entregará o resultado próximo à mediana ou ao topo do guidance. Se chegar ao topo, a confiança do mercado na retomada se fortalece; se ficar apenas no piso, apesar de ainda superar o consenso, o espaço para alta das ações pode ficar limitado.
Narrativa de transformação passa por foundry e capex
O plano de longo prazo da Intel vai além de vender CPUs: a empresa tenta se reinventar em manufatura de ponta, buscando com o Intel Foundry um espaço relevante no mercado global de fundição de wafers.
A estratégia é fundamental, mas implica altíssimos investimentos, longos prazos e incertezas. Processos avançados, fábricas, equipamentos e homologações exigem despesas massivas e o retorno é demorado. No curto prazo, foundry pode pesar nas margens e gerar fluxo de caixa negativo; no longo, ao conquistar grandes contratos, pode elevar o valuation.
Portanto, apesar do resultado positivo, é improvável que apenas um trimestre mude a visão sobre a transformação da Intel. O mercado quer ver:
- Avanço no número de clientes externos em foundry;
- Evolução dos processos mais avançados dentro do cronograma;
- Melhora da taxa de utilização de capacidade;
- Redução dos prejuízos em foundry;
- Equilíbrio entre capex e geração de caixa.
Este é um dos motivos da Intel negociar a múltiplos mais baixos: o potencial de transformação existe, mas o receio com volumes de investimento e velocidade de materialização persiste.
IA segue como questão para o valuation máximo
No momento, IA é o principal tema para semicondutores. A Nvidia domina o mercado de aceleradores de IA, a AMD está a passos largos, enquanto a narrativa da Intel é mais complexa.
A empresa possui linhas em CPU, redes, edge, IA para PCs e também alguns aceleradores, mas o mercado quer saber se conseguirá alcançar share significativo, especialmente no segmento de data centers de IA, de rápido crescimento e margens elevadas. Caso a Intel não se destaque em servidores de IA, aceleradores ou ecossistema de IA em PCs, sua revalorização pode acabar restrita ao ciclo tradicional de semicondutores.
Por isso, apesar da alta no pós-mercado, a sustentabilidade dessa reprecificação depende de a Intel converter as surpresas positivas em receitas num crescimento relevante em IA — e não apenas em uma melhora pontual de negócios tradicionais.
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