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AT&T(T.US) supera expectativas de lucro e crescimento de usuários de telefonia móvel no segundo trimestre, enquanto entrega resultados sólidos sob a sombra da concorrência da SpaceX

AT&T(T.US) supera expectativas de lucro e crescimento de usuários de telefonia móvel no segundo trimestre, enquanto entrega resultados sólidos sob a sombra da concorrência da SpaceX

智通财经智通财经2026/07/22 13:16
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Por:智通财经

Os lucros do segundo trimestre e o crescimento de usuários móveis da AT&T superaram as expectativas.

Segundo informações do aplicativo de notícias financeiras Zhihui Caijing (Inteligência Financeira), em meio à ansiedade generalizada dos investidores sobre a potencial ameaça competitiva da SpaceX (SPCX.US), a AT&T (T.US) apresentou resultados acima das expectativas. No segundo trimestre encerrado em 30 de junho, a operadora de telecomunicações sediada em Dallas adicionou 432 mil novos assinantes de telefonia móvel, superando significativamente a previsão de Wall Street de 325 mil. Após a divulgação do balanço, até o momento desta publicação, as ações da AT&T subiram cerca de 4% no pré-mercado, embora no acumulado do ano ainda registrem uma queda de aproximadamente 10%.

Dados principais: usuários móveis acima do esperado, indicadores de lucro superam metas

Nos três meses até 30 de junho, o número líquido de novos assinantes de telefonia móvel foi de 432 mil, muito acima dos 325 mil previstos por analistas.

Receita: US$ 31,6 bilhões, crescimento anual de 2,3%, levemente abaixo do intervalo de expectativa de mercado de US$ 31,8 bilhões a US$ 32 bilhões.

EBITDA ajustado: US$ 12,3 bilhões, levemente acima da expectativa, sendo um indicador chave de condição financeira.

Lucro por ação ajustado: US$ 0,65, acima da previsão do mercado de US$ 0,59.

Previsão anual: reafirma a meta de lucro por ação ajustado de US$ 2,25 a US$ 2,35 para o ano fiscal de 2026, com fluxo de caixa livre acima de US$ 18 bilhões.

O diretor financeiro da AT&T, Pascal Desroches, afirmou anteriormente em reunião com investidores que o crescimento da receita de serviços móveis no segundo trimestre melhorou ainda mais em relação ao primeiro trimestre.

Destaques do negócio: modelo de pacotes mostra resultados expressivos, banda larga de fibra ótica segue em expansão

No acirrado cenário de guerra de preços do mercado de usuários móveis, a AT&T lançou, no último ano, uma série de incentivos e promoções agressivas. Entre elas, o modelo de pacote "wireless + fibra" tornou-se o principal motor de crescimento.

Dados mostram que, das residências que adquiriram banda larga residencial da AT&T, 42,5% também contrataram serviços de telefonia móvel da empresa. Esse sucesso do "modelo de convergência" permitiu à AT&T estabelecer barreiras competitivas diferenciadas antes das demais três grandes operadoras.

Em março, a AT&T anunciou uma nova estrutura de preços all-inclusive para banda larga e serviços móveis. No segmento de fibra ótica, analistas preveem que aproximadamente 287 mil novos assinantes serão adicionados neste trimestre, praticamente o mesmo número dos novos assinantes móveis, demonstrando uma dinâmica de crescimento com "dupla propulsão".

Retorno ao acionista: plano de devolução de US$ 45 bilhões oferece colchão de segurança

No contexto de incerteza competitiva, o compromisso da AT&T com o retorno ao acionista oferece importante suporte para suas ações. A empresa reafirmou suas diretrizes financeiras de longo prazo até 2028, planejando devolver US$ 45 bilhões aos acionistas via dividendos e recompra de ações nesse período. Para o ano de 2026, a companhia prevê recomprar cerca de US$ 8 bilhões em ações ordinárias.

No momento, o dividendo anualizado da AT&T permanece em US$ 1,11 por ação, com retorno de dividendos de cerca de 5%, ainda atrativo para investidores em busca de renda em um cenário de volatilidade de taxas de juros.

Ameaça competitiva: a "Espada de Dâmocles" do Starlink

Apesar dos dados financeiros positivos, o verdadeiro desafio da AT&T vem da SpaceX (SPCX.US), de Elon Musk. Desde o início do ano, as ações da AT&T recuaram cerca de 10%, sendo a preocupação dos investidores com a entrada do Starlink no mercado de comunicações móveis o principal fator de pressão.

As ambições da SpaceX passaram de "complemento de banda larga via satélite" para "desafiante direto das redes móveis terrestres". Em junho deste ano, houve relatos de que a SpaceX já informou investidores sobre planos para oferecer serviços móveis diretamente para consumidores nos EUA, estando em negociações com a Charter Communications para lançar serviços móveis voltados ao consumidor. O prospecto de IPO da SpaceX já posiciona claramente o Starlink Mobile como concorrente direto de Verizon, AT&T e T-Mobile.

No âmbito de espectro, a SpaceX realizou uma movimentação agressiva no último ano: em maio de 2026, a FCC aprovou oficialmente a compra pela SpaceX de licenças de espectro sem fio da EchoStar por cerca de US$ 17 bilhões, enquanto a AT&T adquiriu 50 MHz de espectro na mesma transação por cerca de US$ 23 bilhões. Isso significa que a SpaceX já obteve capacidade para operar independentemente serviços de conexão direta entre telefones e satélites em suas próprias faixas de frequência.

No campo defensivo, em maio deste ano, AT&T, Verizon e T-Mobile anunciaram, de forma inédita, a criação de uma joint venture para promover serviços de conexão direta de dispositivos a satélites (D2D). A iniciativa visa integrar recursos de espectro para, através de uma plataforma unificada, ajudar provedores de serviços via satélite a alcançar mais usuários e eliminar zonas de sombra de sinal móvel nos EUA, inclusive em áreas rurais. Esse movimento foi amplamente interpretado como uma estratégia coletiva das três grandes operadoras para se defender da SpaceX.

Analistas da Bernstein acreditam que a AT&T encontrou "um campo de batalha mais isolado" na guerra de preços entre operadoras. Nos últimos sete trimestres, a AT&T superou consistentemente as expectativas de lucro por ação dos analistas.

Gregory Williams, analista do TD Cowen, aponta que é improvável que qualquer operadora assine um contrato MVNO de atacado de rede com a SpaceX — "a indústria wireless já sofreu muito com MVNOs das operadoras de cabo". Mas reconhece que a AT&T, graças à forte posição em fibra ótica, pode ser a menos prejudicada entre as três grandes operadoras.

Já Sebastiano Petti, analista do JP Morgan, acredita que o Starlink representa "mais uma espada de Dâmocles de longo prazo sobre o mercado móvel dos EUA do que uma ameaça fundamental de curto prazo", prevendo que a SpaceX só começará a construir uma rede terrestre nos EUA em 2028, lançando serviços ao consumidor apenas em 2029.

Negócio de fibra ótica: o “fosso” e o “calcanhar de Aquiles” da AT&T

Para analistas, o negócio de fibra ótica é tanto a maior vantagem competitiva como a variável-chave para a AT&T enfrentar o impacto do Starlink.

O Wells Fargo prevê que a participação da receita de fibra ótica no total suba de 8% em 2026 para 14% em 2032, com os pontos de cobertura de fibra passando de cerca de 21 milhões para 54 milhões. Porém, Cahall alerta que clientes fora da área de cobertura da fibra da AT&T continuam altamente vulneráveis ao avanço do Starlink.

Os dados do modelo de convergência da AT&T no segundo trimestre reforçam o valor estratégico da fibra — 42,5% dos assinantes de banda larga também adquiriram serviços móveis. A empresa concluiu ainda a aquisição dos clientes de fibra da Lumen, antecipando o fechamento do negócio, adicionando cerca de 1,1 milhão de clientes de fibra e mais de 4 milhões de pontos de cobertura.

A Bernstein acredita que essa vantagem de convergência pode colocar a AT&T em posição relativamente favorável na disputa com a SpaceX. O Wells Fargo, contudo, mantém uma visão pessimista, avaliando que, mesmo com o reforço da fibra, a AT&T enfrenta o maior risco de perda líquida de assinantes e de market share, reiterando uma recomendação "underweight" e preço-alvo de US$ 18 devido às preocupações com a operação do Starlink.

Perspectivas: uma competição “satélite-terra” impossível de evitar

O balanço da AT&T envia sinais duplos: operação robusta no curto prazo, mas com pressão estratégica no longo prazo. O desempenho dos usuários acima do esperado comprova a grande capacidade de execução da AT&T no cenário competitivo atual. Porém, a ameaça da SpaceX não se trata de uma volatilidade de curto prazo, mas de um desafio estrutural ao modelo de negócios das operadoras tradicionais — a internet via satélite está reabrindo o poder de cobertura, de captura dos usuários marginais e de precificação em áreas rurais, até então monopolizados pelas redes terrestres.

O resultado dessa disputa dependerá de variáveis-chave: se a SpaceX conseguirá adquirir espectro terrestre no leilão de 2027 e construir sua própria rede móvel; se a joint venture de satélites das três grandes operadoras conseguirá equilibrar a concorrência; e se a expansão da fibra da AT&T cobrirá usuários suficientes para compensar a erosão do Starlink.

À medida que o Starlink evolui de fornecedor rural de banda larga para uma plataforma global de conectividade abrangendo banda larga, mobile e redes híbridas satélite-terra, a "guerra de preços" entre a AT&T e suas rivais tradicionais está se tornando uma guerra paradigmática "satélite-terra". Conforme a constelação de satélites de baixa órbita de Musk redefine o conceito de "conexão" a custos mínimos, o fosso das estações terrestres está sendo pouco a pouco erodido.

A SpaceX já vale cerca de US$ 2 trilhões, detém cerca de US$ 110 bilhões em liquidez e possui em torno de 10,3 milhões de usuários Starlink no mundo — esses números significam que a AT&T enfrenta não mais uma "rede satelital complementar", mas um potencial disruptor altamente capitalizado, com espectro próprio e uma vasta base de usuários.

A AT&T escolheu reforçar seu fosso competitivo com o "modelo de convergência", adotar "defesa coletiva" para enfrentar os desafios e manter "retorno aos acionistas" como linha de defesa. Mas diante do "elefante na sala" que é a SpaceX, restará saber se tais medidas terão efeito — essa será a principal questão para investimento no setor de telecom nos próximos trimestres.

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