Trump: Irã quer negociar, mas os Estados Unidos “não têm interesse”; “em breve” atacará fortemente a instalação nuclear de Hakim, e adverte os Houthis para não bloquearem o Mar Vermelho
Trump afirmou que o conflito entre os EUA e o Irã está longe de terminar, que os Estados Unidos "não sairão amanhã"; no momento, o Mar Vermelho ainda não foi bloqueado, mas se isso realmente acontecer, os EUA "tomarão providências"; os EUA irão "em breve" e "de forma muito intensa" atacar as instalações nucleares subterrâneas de Ghachin. Segundo a mídia americana, citando autoridades dos EUA, o foco atual dos EUA é punir o Irã pelos ataques anteriores a navios no Estreito de Ormuz, e os ataques continuarão, enquanto esforços diplomáticos prosseguem. Segundo a mídia iraniana, o Irã já implantou novos sistemas de defesa aérea. O presidente iraniano declarou que o líder supremo do Irã ordenou o fim do estado de “nem guerra, nem paz”.
A guerra entre os EUA e o Irã ainda não apresentou uma saída clara para o cessar-fogo.
No dia 21, terça-feira, horário local, o presidente americano Trump esfriou abertamente as expectativas para uma negociação EUA-Irã, afirmando que o Irã "deseja desesperadamente um encontro", mas que, antes de os iranianos estarem preparados para "conversas significativas", os EUA "não têm interesse" em se reunir. Ele também declarou que a luta entre os EUA e o Irã "definitivamente não acabou", que os EUA não deixarão o Irã; e mesmo que o Irã apenas considere desenvolver capacidade nuclear, os EUA realizarão ataques na região relacionada.
Segundo a China Central Television (CCTV em Brazilian Portuguese), Trump declarou naquele dia que os EUA "em breve" lançarão um ataque à instalação nuclear subterrânea "Ghao Shan" ao sul de Natanz, no Irã, e que o ataque será "muito severo".
Em relação às organizações apoiadas pelo Irã, tal como os Houthis do Iêmen ameaçando bloquear o transporte marítimo na Arábia Saudita, Trump emitiu um aviso. Segundo a Xinhua News Agency, Trump declarou no dia 21, em encontro na Casa Branca com o presidente libanês Aoun, que se os Houthis bloquearem o Mar Vermelho, os EUA tomarão medidas.
No mesmo dia, a mídia iraniana IRNA reportou que o Irã já implantou novos sistemas de defesa aérea. Essa ação é vista como a mais recente estratégia do Irã para fortalecer sua defesa nacional e responder a possíveis novos ataques aéreos dos EUA. Com Trump apontando claramente para instalações subterrâneas como alvo, mais profundas e de difícil destruição, o embate militar entre EUA e Irã mostra uma característica de "evolução simultânea das capacidades ofensivas e defensivas".
Na segunda-feira desta semana surgiram informações sobre mediadores tentando promover um cessar-fogo de 10 dias entre EUA e Irã, e o Irã também confirmou ter recebido a proposta. As declarações mais recentes de Trump indicam que a prioridade dos EUA ainda é a pressão militar, e não o retorno imediato à mesa de negociações. O conflito entre EUA e Irã não apresentou sinais claros de redução; pelo contrário, segue o caminho de "continuar atacando o Irã — aumentar a pressão sobre a navegação marítima — dificultar a mediação diplomática".
Trump: Irã "deseja desesperadamente se encontrar", luta Estados Unidos-Irã definitivamente não acabou, EUA "não sairão amanhã"
Segundo a Associated Press (AP), Trump afirmou na Casa Branca, no dia 21, que o Irã "deseja desesperadamente" se reunir com os EUA, mas que, antes de o Irã estar pronto para "conversas significativas", "não tem interesse" em se encontrar.
Trump disse que, nos bastidores, oficiais iranianos deixaram claro que "desejam desesperadamente se reunir e acabar com essa guerra", porque o Irã "está sendo duramente atingido".
No entanto, Trump não deu nenhum sinal de que pretendia avançar imediatamente nas negociações.
Pelo contrário, ele estabeleceu como pré-requisito para o diálogo: o Irã deve primeiro estar pronto para "conversas significativas".
Isso significa que, na visão de Trump, simples contatos, cessar-fogo ou comunicação diplomática simbólica não são suficientes para mudar a atual postura militar dos EUA. O que os EUA querem ver é que o Irã faça concessões substanciais em questões-chave antes que possa ser iniciada uma negociação real.
Segundo a AP, Trump demonstrou pessimismo sobre a possibilidade de negociações para terminar a guerra.
Outro sinal importante emitido por Trump naquele dia merece atenção.
De acordo com relatos, Trump declarou que a luta entre os EUA e o Irã "definitivamente não acabou", e que os EUA não sairão do Irã.
Quando questionado se o Irã poderia ser atacado apenas por considerar o desenvolvimento de capacidade nuclear, Trump afirmou que os EUA agirão na região. Ele ainda disse que o Irã "ainda não viu nada".
Trump também declarou que, se os EUA saíssem do Irã no dia seguinte, já teriam assegurado um "grande sucesso", mas "não iremos embora amanhã".
Essas declarações significam que Trump não enxerga as ações militares anteriores como uma operação limitada e encerrada, mas sim deixa clara a opção de continuar aumentando a pressão militar.
Para os mercados, isso é especialmente relevante.
Se os EUA definirem as ações atuais como uma operação militar prolongada ainda não concluída, a expectativa anterior do mercado de que "o conflito acabaria em breve e o Estreito de Ormuz voltaria ao normal" pode ser revista.
Trump ameaça atacar "em breve" e "com muita força" a instalação nuclear subterrânea "Ghao Shan"
Enquanto as perspectivas de negociações esfriaram, as ameaças militares dos EUA se intensificaram.
De acordo com a CCTV, citando as declarações de Trump na Casa Branca durante o encontro com o presidente libanês Aoun no dia 21, Trump afirmou que os EUA "em breve" atacarão a instalação subterrânea "Ghao Shan", ao sul de Natanz, no Irã, com força "muito severa".
Perguntado se o Irã já teria transferido centrífugas para os túneis de "Ghao Shan", Trump disse: "Acredito que já possam ter feito isso, mas não temos registros concretos". Ele também afirmou que, a menos que o Irã possua material nuclear, instalações sozinhas não significam nada: "O que estamos rastreando são os materiais, isso é o essencial".
Na semana passada, Trump também afirmou em um programa que os EUA "podem agir em breve contra Ghao Shan".
Consta que "Ghao Shan" está localizada cerca de 1,6 km ao sul das instalações de enriquecimento de urânio de Natanz, possuindo dois conjuntos de túneis profundamente enterrados, sendo considerada uma das instalações nucleares subterrâneas mais reforçadas do Irã. Autoridades israelenses acreditam que, após a guerra de 12 dias em junho do ano passado, o Irã transferiu centrífugas avançadas e parte dos estoques de urânio altamente enriquecido para essa instalação.
Se as ameaças de Trump se concretizarem, o alcance dos ataques dos militares americanos ao Irã pode ser ainda maior, passando das instalações militares, mísseis e sistemas de defesa aérea anteriores para instalações nucleares subterrâneas mais profundas.
Com o Irã já tendo declarado a implantação de novos sistemas de defesa aérea, está claro que há uma "escalada de ataque e defesa" entre os dois lados.
Os EUA ameaçam atacar alvos subterrâneos mais profundos, o Irã procura fortalecer sua defesa antiaérea. Os objetivos e métodos das ações militares estão em escala ascendente, ao passo que o espaço para negociações diplomáticas fica ainda mais restrito.
Presidente iraniano diz que líder supremo ordenou o fim do impasse de "nem guerra, nem paz"
Segundo a mídia iraniana Tasnim, o presidente do Irã, Pezeshkian, afirmou que agora tem "muito mais contato" com o líder supremo Mujtaba Khamenei, e que todas as ações do governo se baseiam na orientação do líder supremo.
De acordo com a mesma fonte, Pezeshkian declarou no dia 21, durante um evento, que, sob a liderança de Khamenei, as políticas iranianas terão continuidade. Ele mencionou que, em reunião privada, Khamenei enfatizou a necessidade de encerrar o impasse de "nem guerra, nem paz", sem fornecer mais detalhes.
Segundo a Xinhua News Agency, citando a agência Mehr do Irã, Pezeshkian enfatizou naquele dia que, neste momento, o Irã deve manter a união interna e a coesão, e que não se deve depreciar sem fundamento os resultados das negociações.
Ao participar da comemoração do "Dia Nacional da Indústria e Mineração" do Irã, Pezeshkian disse que o país está avançando gradualmente, nas negociações, em questões importantes como a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das exportações de petróleo, e que, apesar do descumprimento dos EUA, os resultados alcançados pelo Irã nesse processo "superaram as expectativas".
Pezeshkian afirmou que podem ser discutidos internamente métodos e resultados das negociações, mas não se deve depreciar tais resultados sem respaldo técnico. Para ele, manter a unidade e coesão interna é fundamental para a conjuntura atual do Irã.
Proposta de cessar-fogo de 10 dias enfrenta obstáculos: prioridade dos EUA ainda é "punir o Irã"
Enquanto Trump envia sinais duros, a mediação diplomática não parou.
Na segunda-feira, alguns veículos informaram que o Catar e outros mediadores das negociações EUA-Irã propuseram um cessar-fogo de 10 dias, buscando suavizar o conflito e relançar arranjos provisórios anteriores.
No entanto, segundo a Bloomberg, citando uma autoridade americana, o foco atual de Trump é punir o Irã pelos ataques a navios no Estreito de Ormuz.
Segundo o oficial, as ações militares americanas continuarão até que Trump decida mudar o rumo; ao mesmo tempo, esforços diplomáticos ainda estão em andamento.
Isso, na verdade, cria uma conjuntura bastante contraditória:
Os canais diplomáticos continuam funcionando, mas as ações militares não foram suspensas; planos de cessar-fogo estão em andamento, mas Trump deixou claro que, no momento, os EUA não têm interesse em se encontrar com um Irã ainda não pronto para "conversas significativas".
Assim, o sucesso do plano de cessar-fogo de 10 dias depende, em grande parte, de as partes resolverem primeiramente a questão do transporte no Estreito de Ormuz e de o Irã aceitar ou não fazer compromissos concretos exigidos pelos EUA.
Segundo a agência Reuters, o mercado enxergava a mediação do cessar-fogo como uma possível solução para o conflito e a retomada do transporte no Estreito de Ormuz, mas ainda há divergências substanciais entre EUA e Irã.
Houthis abrem nova frente no Mar Vermelho
O risco do conflito EUA-Irã não fica restrito ao Golfo Pérsico.
Recentemente, os Houthis do Iêmen anunciaram um "bloqueio marítimo" contra a Arábia Saudita, advertindo que navios ancorados em portos sauditas podem ser alvo de ataques militares.
Segundo a Reuters, após a ameaça dos Houthis, dois petroleiros carregados com petróleo saudita e originalmente destinados à Ásia deram meia-volta, optando por contornar o Canal de Suez. Em Yanbu, porto saudita no Mar Vermelho, os embarques continuam, mas algumas embarcações adotaram medidas preventivas, como desligar os sistemas de rastreamento.
Isso significa que o transporte de petróleo saudita enfrenta uma nova incerteza.
Anteriormente, a Arábia Saudita já transferia parte do petróleo, por oleoduto, até Yanbu na costa do Mar Vermelho, para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz. Se os Houthis ameaçarem ainda mais o Mar Vermelho e o Estreito de Bab el-Mandeb, essa rota alternativa, projetada para evitar o risco de Ormuz, também pode ser afetada.
Segundo a Reuters, a ação dos Houthis pode ter impacto mais amplo no transporte mundial de petróleo.
Trump: se Mar Vermelho for bloqueado, EUA agirão
Trump também lançou um alerta sobre a situação no Mar Vermelho no dia 21.
Segundo a Xinhua News Agency, Trump afirmou que, no momento, o Mar Vermelho "ainda não" está bloqueado, mas "se realmente acontecer, tomaremos providências".
Isso indica que os EUA já deixaram espaço claro para uma intervenção adicional no Mar Vermelho.
Se os Houthis ampliarem o "bloqueio marítimo" à Arábia Saudita para ações militares concretas contra mais navios, os EUA poderão se deparar com uma crise em dois pontos críticos de navegação ao mesmo tempo:
Um é o Estreito de Ormuz, com risco central no conflito militar direto entre EUA e Irã; o outro é o Mar Vermelho—Estreito de Bab el-Mandeb, onde o risco vem das ameaças Houthis à Arábia Saudita e à navegação relacionada.
Essa é uma das principais mudanças a ser observada na situação atual do Oriente Médio.
Antes, o mercado se preocupava principalmente com o bloqueio do Estreito de Ormuz. Agora, o Mar Vermelho também apresenta um risco realista para a navegação. Se esses dois gargalos estratégicos forem afetados simultaneamente por riscos militares, o transporte mundial de energia, a navegação de contêineres, os custos de seguro e toda a cadeia de suprimentos podem ser impactados.
Negociações EUA-Irã continuam, mas "janela de cessar-fogo" se estreita
No momento, ainda existem canais diplomáticos entre EUA e Irã.
Mediadores seguem impulsionando a proposta de cessar-fogo de 10 dias, com esforços diplomáticos em andamento.
Mas, pelas declarações de Trump no dia 21, Washington não está disposto a suspender imediatamente as operações militares devido às mediações diplomáticas.
A lógica de Trump é bem clara: o Irã quer se reunir, mas deve estar preparado para "conversas significativas"; os EUA podem negociar, mas não vão relaxar a pressão enquanto seus objetivos militares não forem atingidos.
Ao mesmo tempo, Trump afirmou que os EUA não deixarão o Irã e sugeriu que o Irã "ainda não viu" todo o poderio militar americano.
Portanto, a situação entre EUA e Irã apresenta hoje um perigoso estado de "negociar enquanto luta":
Os canais diplomáticos não foram fechados, mas as operações militares continuam; o plano de cessar-fogo já existe, mas o presidente americano declara publicamente que não tem pressa em se reunir; o Irã quer encerrar o conflito, mas os EUA acham que os iranianos ainda não estão prontos para negociar de verdade.
Fora do campo de batalha, os riscos advindos das ameaças dos Houthis à navegação saudita somam uma nova variável ao conflito.
Daqui para frente, o mercado deve ficar atento a três pontos:
- Se a ameaça de Trump ao atacar a instalação subterrânea "Ghao Shan" se tornará realidade;
- Se a proposta de cessar-fogo de 10 dias conseguirá superar o caminho militar de "continuar punindo o Irã" dos EUA;
- Se as ameaças dos Houthis à navegação saudita passarão de avisos para ataques reais.
Se os três pontos evoluírem ao pior cenário, o conflito EUA-Irã pode se expandir até o Mar Vermelho, e o mercado global não enfrentará apenas um conflito militar de curto prazo, e sim uma crise no Oriente Médio que ameaça ao mesmo tempo os dois principais gargalos de navegação: Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb.
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