Mais uma variável nos custos dos centros de dados de IA! Regulamentação mais rígida pode obrigar Oracle a fornecer uma garantia superior a US$ 7 bilhões
O projeto de centro de dados de US$ 15 bilhões da Oracle em Wisconsin enfrenta dupla pressão: os órgãos reguladores estaduais recusaram-se a isentar a exigência de garantia de crédito de US$ 7 bilhões, resultando em um custo adicional de mais de US$ 100 milhões por ano; ao mesmo tempo, a S&P rebaixou sua classificação para BBB-, apenas um passo acima do nível especulativo (junk). Este projeto, fundamental para cumprir o contrato de US$ 300 bilhões com a OpenAI para capacidade de computação, está expondo os custos ocultos da expansão da IA.
A redução da classificação de crédito combinada com o endurecimento da regulamentação nos Estados Unidos faz com que os custos de construção da infraestrutura de IA da Oracle continuem a subir.
A Oracle enfrenta um obstáculo financeiro significativo em seu grande projeto de centro de dados no estado de Wisconsin, EUA. O órgão regulador de energia do estado manteve as exigências de garantia para a concessionária local, podendo obrigar a Oracle a fornecer mais de 7 bilhões de dólares em garantias—uma decisão que agrava ainda mais a pressão financeira da gigante de tecnologia na construção da infraestrutura de IA.
A Comissão de Serviços Públicos de Wisconsin (Public Service Commission of Wisconsin) informou ao Financial Times na segunda-feira, dia 20 de julho, que “decidiu não agir em relação à solicitação”, mantendo assim a exigência de garantia de crédito para a concessionária We Energies. Essa regra exige que a Oracle forneça garantias no valor de cerca de 7 bilhões de dólares, em dinheiro ou carta de crédito, com custo extra anual superior a 100 milhões de dólares. A Oracle manifestou esperança de que a comissão reconsiderasse sua posição após avaliar plenamente as oportunidades de emprego e crescimento econômico que o projeto de 15 bilhões de dólares traria, além de afirmar que continua “comprometida a fornecer as garantias financeiras necessárias para garantir que os usuários de energia de Wisconsin não assumam qualquer risco.”
O centro de dados é um projeto fundamental para o cumprimento do contrato de 300 bilhões de dólares em poder computacional assinado entre a Oracle e a OpenAI, com investimento total de 15 bilhões de dólares.
A decisão representa um revés inicial para a Oracle. Ao mesmo tempo, a S&P rebaixou este mês a classificação de crédito da Oracle para BBB-, apenas um nível acima do grau especulativo, justificando que os fortes investimentos em IA tornam incertas as perspectivas de lucratividade da empresa. O agravamento da classificação de crédito pode ainda impactar centenas de bilhões de dólares em dívidas de construção de centros de dados subscritas por bancos de Wall Street para a Oracle, elevando o risco financeiro geral.
Oracle busca solução judicial
Diante do obstáculo regulatório, a Oracle entrou com ação judicial no mês passado em tribunal local, buscando anular as exigências citadas e permitir que a We Energies seja dispensada das mesmas. No processo, a Oracle argumenta que tais regras “imporiam pesados custos de financiamento sobre a Oracle, podendo ainda dificultar futuros investimentos no estado de Wisconsin.”
A negativa do órgão regulador indica que a batalha judicial da Oracle vai perdurar. Analistas apontam que o caso reflete o aumento da cautela por parte dos reguladores estaduais quanto ao risco de grandes projetos de infraestrutura de IA se tornarem “ativos encalhados”—especialmente quando esses não conseguem demonstrar suporte financeiro suficiente.
Deterioração do crédito afeta toda a cadeia de financiamento
O rebaixamento da Oracle pela S&P este mês deixou a empresa em BBB-, a apenas um passo do grau especulativo. A agência de classificação apontou que os pesados investimentos da Oracle na área de IA aumentam as incertezas sobre suas perspectivas de lucratividade, o principal motivo da redução.
O impacto do rebaixamento vai além disso. Segundo o Financial Times, bancos de Wall Street que forneceram centenas de bilhões de dólares em empréstimos para a construção dos data centers da Oracle já estão buscando novas formas de transferir o risco relacionado. Uma descida maior da classificação aumentaria, sem dúvida, a dificuldade e o custo dessas operações de financiamento.
Tendência regulatória mais rigorosa em todo os EUA
O caso de Wisconsin não é isolado, mas sim um reflexo de uma tendência regulatória mais ampla nos Estados Unidos. Com o aumento da preocupação sobre consumidores finais de energia terem que arcar com os custos das estruturas de energia para centros de dados, 24 estados já aprovaram cláusulas de “tarifa para grandes usuários”, estabelecendo condições de preço e acesso para centros de dados e outros grandes usuários industriais.
Essas regras geralmente exigem que centros de dados assumam compromissos mínimos de contrato, paguem taxas de saída e ofereçam garantias. Grandes empresas de tecnologia e fabricantes contestam essas cláusulas, considerando-as discriminatórias e excessivamente onerosas.
A situação da Oracle em Wisconsin sugere que, por trás da expansão acelerada dos centros de IA, o embate com os reguladores locais será uma variável decisiva nessa corrida pelo poder computacional.
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