TSMC disputa o mercado com Intel, negocia parceria com Terafab de Musk, e ações atingem recorde histórico.
As ações da TSMC no mercado americano fecharam em alta de 2,8%, enquanto as ações da Intel, que se juntou ao projeto Terafab em abril deste ano, caíram 2,6%. Elon Musk confirmou nas redes sociais que iniciou discussões preliminares com a TSMC sobre o projeto Terafab. Segundo relatos, especialistas do setor estimam que a probabilidade de colaboração entre TSMC e Terafab supera 80%.
A potencial colaboração entre a TSMC e a Terafab, megafábrica de wafers do grupo de Elon Musk, está se tornando o acordo mais observado da indústria de semicondutores. Profissionais do setor estimam que a probabilidade de cooperação entre as partes supera 80%, e o mercado já reagiu antecipadamente.
Na segunda-feira, as ações da TSMC nos EUA (TSM) atingiram uma máxima histórica de US$ 487,44 durante o pregão, encerrando com alta de aproximadamente 2,8% a US$ 485,80, também um recorde, com valor de mercado tocando pela primeira vez cerca de US$ 2,5 trilhões, acumulando alta superior a 60% em 2024.

O impulsionador desta alta nas ações da TSMC foi o próprio Elon Musk. Ele confirmou pessoalmente na plataforma X que estão iniciando discussões com a TSMC sobre o projeto Terafab, afirmando: "Apenas conversas, mas pode ser que algo resulte disso." A TSMC, por sua vez, manteve sua postura habitual de discrição e não fez nenhum comentário público.
Enquanto isso, as ações da Intel, que já havia ingressado no projeto Terafab em abril deste ano, fecharam em queda de cerca de 2,6% na segunda-feira, acumulando o terceiro pregão consecutivo de baixa. A possibilidade de envolvimento da TSMC impactou diretamente as expectativas do mercado sobre o papel da Intel no projeto.
Probabilidade de cooperação acima de 80%: Sinergia natural com fábrica de wafers no Texas
De acordo com a mídia de tecnologia taiwanesa Digitimes, profissionais do setor estimam que a chance de cooperação entre a TSMC e a Terafab já supera 80%. O cerne dessa avaliação está no alto grau de sobreposição das expansões da TSMC nos EUA, especialmente no Texas, com o local escolhido para a Terafab.
Jordan Klein, analista da mesa de operações da Mizuho Securities, ressaltou em relatório a clientes que a TSMC está explorando o estabelecimento de um novo centro de manufatura nos EUA, no Texas, "o que provavelmente faz parte deste projeto, e Musk será o cliente âncora." Ele ainda disse que o projeto Terafab poderá, no final, ser assumido ou dividido entre TSMC e Intel.
Segundo reportagens, a TSMC estaria avaliando construir e operar uma fábrica de wafers dedicada a atender Tesla, SpaceX e xAI. A estrutura de acordo mais provável seria: a TSMC seria responsável pela posse e operação da fábrica, enquanto a SpaceX apoiaria via investimento acionário, compromisso de compra, ou ambos. Vários profissionais do setor relataram à mídia que já houve contatos, mas que a assinatura de contrato ainda está distante — o momento atual seria mais parecido com uma “fase de namoro”.
O silêncio da TSMC: Moeda de negociação e estratégia
Frente à confirmação pública de Musk, a escolha da TSMC pelo silêncio é uma postura estratégica de negociação. Como maior fundição de wafers do mundo, a posição monopolística da TSMC em processos avançados lhe garante expressivo poder de barganha.
O analista Matt Bryson, da Wedbush Securities, reiterou sua classificação “acima do mercado” para a TSMC após o anúncio. Jordan Klein também afirmou que a colaboração da TSMC com a Terafab "faz todo sentido, pois são reconhecidos como a empresa líder mundial em fabricação de semicondutores em grande escala e tecnologia avançada".
O silêncio da TSMC também reflete sua tradicional cautela na gestão de relacionamento com clientes. Entre seus clientes estão gigantes como Apple, Nvidia e AMD; qualquer declaração pública sobre alocação de capacidade pode gerar reações sensíveis desses parceiros. Sem uma estrutura de colaboração definida, manter discrição é não só uma estratégia de negociação, como também uma proteção das relações com clientes existentes.
Estrutura de clientes e competitividade: Intel diretamente afetada
Caso a TSMC se junte oficialmente ao projeto Terafab, o mercado dos semicondutores sentiria impactos multidimensionais.
Para a Intel, o impacto seria imediato e direto. A Intel já havia sido nomeada como parceira do projeto em abril e estava relacionada ao planejamento tecnológico da fábrica. Um potencial envolvimento da TSMC pode diluir o protagonismo da Intel, o que explica a forte queda das ações da empresa no dia.
Para a Samsung, a TSMC ao assegurar as empresas de Musk como clientes âncora aprofundaria sua liderança em manufatura de processos avançados, reduzindo o espaço de competição da Samsung por contratos de chips de IA de alta performance.
Na alocação de capacidade, o projeto Terafab foi concebido para fornecer chips personalizados à Tesla, SpaceX e xAI, atendendo à crescente demanda dessas empresas por poder computacional. Caso a TSMC assuma essa produção exclusiva, significará uma nova cadeia de fornecimento relativamente independente em território americano, separada da capacidade dedicada a clientes como Apple e Nvidia.
Novo recorde nas ações: Mercado se antecipa, catalisadores e riscos coexistem
As ações da TSMC já acumulavam alta superior a 60% antes da confirmação da notícia, tendo ultrapassado o ponto de compra em padrão de fundo em "copo" aos US$ 479, enquanto o indicador de força relativa também atinge nova máxima, um sinal técnico altista. A Investor's Business Daily selecionou a TSMC como "ação do dia".
Contudo, a rápida resposta do mercado elevou preocupações em relação à valoração. Atualmente, o preço das ações supera em mais de 10% a média móvel de 50 dias, o que, segundo analistas, indica que mesmo com sinais claros de alta, pode haver uma correção de curto prazo.
Entre os catalisadores futuros, o relatório mensal de receita da TSMC de setembro será publicado nesta quinta-feira, marcando o próximo grande evento para o mercado. Além disso, o relatório de resultados trimestrais em 15 de outubro trará novas informações sobre planejamento de capacidade e demanda de clientes, e a possível manifestação da diretoria quanto à parceria com a Terafab será o centro das atenções.
Sobre riscos, as negociações ainda estão em fase extremamente inicial, e o próprio Musk deixou claro que não há resultados garantidos. Caso as conversas não avancem para assinatura ou a estrutura do acordo fique aquém das expectativas do mercado, haverá pressão para ajuste nas ações, que atualmente já precificam parcialmente as expectativas de cooperação.
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