Centros de dados de IA impulsionam demanda por chips de gestão de energia! Receita da Analog Devices (ADI.US) bate recorde no terceiro trimestre e previsão para o quarto trimestre supera expectativas
Devido à demanda por chips impulsionada pela inteligência artificial, o desempenho da Analog Devices superou as expectativas.
Segundo informações do aplicativo de notícias financeiras do Zhihui Finance, em uma semana em que o índice de semicondutores da Filadélfia sofreu pressão devido ao aumento dos juros de longo prazo, a gigante global de chips analógicos Analog Devices (ADI.US) comprovou, com um relatório financeiro que superou amplamente as expectativas, que a lógica de expansão de poder computacional em IA está se transmitindo para todo o ecossistema industrial. Antes da abertura do mercado nesta quarta-feira, a ADI divulgou o relatório trimestral referente ao terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 1º de agosto, ultrapassando, pela primeira vez, a marca de US$ 4 bilhões em receita e superando em todos os principais indicadores as expectativas de Wall Street, além de fornecer projeções para o quarto trimestre muito acima do consenso do mercado.
Dados financeiros principais: receita e lucro em novos recordes, superando amplamente as expectativas
A receita não apenas superou a previsão dos analistas de US$ 3,91 bilhões, como também marcou a primeira vez na história da companhia que superou US$ 4 bilhões em um único trimestre. O lucro líquido GAAP saltou de US$ 519 milhões no mesmo período do ano passado para US$ 1,34 bilhão.

A margem bruta e a margem operacional subiram simultaneamente. A margem bruta GAAP chegou a 67,3%, enquanto a margem operacional foi de 40,1%; a margem bruta ajustada alcançou 72,5% e a margem operacional ajustada ficou em 50,0%. O caixa proveniente das operações atingiu US$ 1,6 bilhão no trimestre, representando 40% da receita; nos últimos 12 meses, o fluxo de caixa operacional foi de US$ 5,55 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre totalizou US$ 4,94 bilhões.
Segmentos de negócio: setor industrial domina receita, comunicação cresce em ritmo acelerado
Analisando os mercados finais, o crescimento das receitas da ADI apresentou destaque em diversas áreas. O segmento industrial permanece como a base principal da empresa, respondendo por quase metade da receita, abrangendo automação, aeroespacial e defesa, equipamentos de teste, entre outros. O segmento de comunicações foi o que mais cresceu, com alta de 84% em relação ao ano anterior — a gestão já havia destacado que os data centers compõem atualmente a maior parte desse segmento, contribuindo para produtos de gerenciamento de energia e módulos ópticos. O setor automotivo voltou a crescer e a eletrônica de consumo segue sendo um ponto de freio relativo.

O papel da ADI na cadeia de valor da IA não está nos GPUs, mas sim nos chips analógicos e de energia que permitem que os racks funcionem corretamente em energia, precisão de medição e conectividade. Com o aumento contínuo da densidade de potência nos servidores de IA, o gerenciamento do fornecimento de energia, do ponto de geração à chegada no chip, está se tornando o principal gargalo da expansão computacional — e a ADI é um fornecedor central nessa etapa.
Perspectiva para o quarto trimestre novamente acima das expectativas: projeção média de US$ 4,3 bilhões supera consenso
A projeção média de receita está em US$ 4,3 bilhões, cerca de 5,4% acima da estimativa de US$ 4,08 bilhões dos analistas compilada pela FactSet. O lucro por ação ajustado, no valor de US$ 3,86, também superou com folga a estimativa de US$ 3,54 do mercado.
Caso atinja esse valor, a receita do quarto trimestre marcará um novo recorde histórico trimestral. O CFO Richard Puccio afirmou que a empresa manterá disciplina na execução e em investimentos direcionados para alcançar um encerramento forte e dar continuidade ao crescimento até o ano fiscal de 2027.

Retorno ao acionista: dividendo trimestral de US$ 1,10, devolução de US$ 1,7 bilhão nesta temporada
Neste trimestre, a ADI devolveu aos acionistas US$ 1,7 bilhão por meio de dividendos e recompra de ações. O Conselho de Administração anunciou o pagamento de dividendo trimestral em dinheiro de US$ 1,10 por ação, a ser pago em 15 de setembro para os acionistas registrados em 1º de setembro. Nos últimos 12 meses, a empresa registrou fluxo de caixa operacional de US$ 5,5 bilhões e fluxo de caixa livre de US$ 4,9 bilhões.
Ações de infraestrutura de IA têm “restauração de confiança”
A ADI está se beneficiando do aumento dos investimentos em computação impulsionada por IA — uma tendência que elevou a demanda por chips de gerenciamento de energia e altíssima transmissão de dados. Com a rápida elevação da densidade de consumo de energia em racks de data centers para IA, o "gargalo da energia" tornou-se uma restrição crítica para a expansão do poder computacional de IA. Os chips de gerenciamento de energia da ADI são amplamente usados em data centers, equipamentos de automação fabril e carros modernos, sendo, assim, beneficiária direta dessa tendência.
Em maio deste ano, a ADI anunciou a aquisição da startup de gerenciamento de energia do Vale do Silício, Empower Semiconductor, por US$ 1,5 bilhão em dinheiro. A solução de “vertical power delivery” da Empower permitirá a instalação direta de reguladores de tensão sob ou dentro dos chips de IA. O CEO da Empower chamou isso de “o problema mais desafiador do fornecimento de energia para IA — o gargalo de energia que limita a taxa de processamento da IA”. Roche afirmou que a energia é “a restrição mais persistente para a próxima geração de sistemas”. A aquisição está prevista para ser concluída no segundo semestre de 2026, fortalecendo ainda mais a posição de liderança da ADI no gerenciamento de energia para data centers de IA.
Após a divulgação do relatório financeiro, as ações da ADI subiram cerca de 1,2% no pré-mercado, para US$ 381,19. Até o momento, no ano, o papel já acumula alta de cerca de 38%, muito acima dos 12% registrados no mesmo período pelo índice S&P 500. No entanto, ainda está abaixo do pico histórico de US$ 445,91 alcançado em 22 de junho.
Em uma semana na qual as ações de chips foram pressionadas pelos juros de longo prazo e questionamentos sobre os investimentos em IA, o relatório da ADI ofereceu mais uma prova: a expansão do poder computacional segue se transmitindo para áreas como energia, módulos ópticos e equipamentos de teste em toda a cadeia industrial.
A ADI não fabrica GPUs, mas cada rack de servidores de IA depende de seus chips analógicos e de energia. Enquanto o mercado ainda debate se o “ciclo de financiamento” da Nvidia é sustentável, a ADI, com crescimento de 40% nas receitas, avanço de 84% nos negócios de comunicação e novas projeções recordes para o quarto trimestre, comprova uma tendência ainda mais fundamental — a IA está consumindo energia em velocidades inéditas, e cada etapa entre a rede elétrica e o chip requer regulação precisa dos chips analógicos.
O CEO Vincent Roche afirmou no relatório financeiro que a empresa se beneficiou, neste trimestre, de uma demanda de mercado ampla. O CFO Puccio acrescentou que a demanda, tanto por produto quanto por região, continuou a se fortalecer ao longo do trimestre, refletindo-se na perspectiva recorde para o quarto trimestre. Nesta nova fase da IA, em que já não basta apenas ter poder de computação, mas também estabilidade e eficiência energética, a ADI ocupa uma posição insubstituível.
Análises apontam que os resultados e projeções além das expectativas por parte da ADI “aliviaram parte das tensões dos investidores em relação às ações de infraestrutura de IA”. Após a onda de vendas em ações de tecnologia em julho, este relatório da ADI está ajudando o mercado a restabelecer a confiança na cadeia de fornecimento de hardware para IA.
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