Prévia do mercado de ações dos EUA | Futuros dos três principais índices oscilam em direções opostas; Moderna dispara no pré-mercado; ata da reunião do Fed de julho e leilão de títulos do Tesouro de 20 anos acontecem nesta noite
Em 19 de agosto (quarta-feira), antes da abertura do mercado dos EUA, os principais índices futuros das bolsas americanas apresentaram variações mistas.
Tendências do mercado pré-abertura
1. Na quarta-feira, 19 de agosto, antes da abertura do mercado dos EUA, os principais índices futuros apresentaram variações distintas. Até o momento da redação, o futuro do Dow Jones subiu 0,13%, o futuro do S&P 500 avançou 0,05%, enquanto o futuro do Nasdaq recuou 0,21%.

2. Até o momento da redação, o índice DAX da Alemanha caiu 0,21%, o índice FTSE 100 do Reino Unido cedeu 0,01%, o índice CAC40 da França subiu 0,37% e o índice Euro Stoxx 50 avançou 0,08%.

3. Até o momento da redação, o petróleo WTI subiu 0,71%, sendo negociado a 84,66 dólares por barril. O Brent subiu 0,63%, a 91,59 dólares por barril.

Notícias do mercado
O que Waller não disse, a ata do Fed revela esta noite! Às 2h da manhã (horário de Pequim) desta quinta-feira, o Federal Reserve publicará a ata da reunião de julho. Investidores aguardam ansiosos por pistas nesse documento para avaliar a real visão do banco central sobre o futuro dos juros e os riscos da inflação. A importância desta ata é ainda maior devido à recente redução das orientações públicas de política monetária pelo Fed. Na reunião de julho, o Fed manteve a meta para a faixa dos Fed Funds pela quinta vez consecutiva entre 3,5% e 3,75%, mas três dos doze membros votantes divergiram, apoiando aumentos adicionais. O presidente do Fed, Waller, foi sucinto na coletiva de imprensa e não detalhou como o comitê ponderou inflação, crescimento econômico e riscos de políticas futuras. Isso aumentou a dependência do mercado sobre a ata para captar discussões não explicitadas no comunicado oficial. O mercado foca em saber se há uma inclinação mais clara para aumentos de juros dentro do Comitê de Política Monetária. Se a ata sinalizar um tom ainda mais hawkish, os rendimentos dos Treasuries devem subir, o dólar se fortalecer e ações sensíveis a juros podem sofrer; se mostrar divisões relevantes, os setores pressionados pelo aumento do custo de financiamento podem ter algum alívio.
Leilão de US$ 16 bilhões em Treasuries de 20 anos: rendimento testará nova máxima? Nesta quarta-feira, o Tesouro dos Estados Unidos emitirá US$ 20 bilhões em títulos de 20 anos, dos quais cerca de US$ 16 bilhões serão novas emissões para investidores. Como os rendimentos dos Treasuries longos vêm subindo, este leilão será um indicador importante para o apetite dos investidores diante do déficit fiscal e da oferta de títulos americanos. Até o momento da redação, o rendimento dos Treasuries de 20 anos está em 5,266%. A grande questão: à medida que a necessidade de financiamento do governo americano cresce, quanto mais juros será preciso pagar para atrair capital global? Na última semana, o mercado já deu sinais: o título de 10 anos saiu a 4,683%, máxima em 19 anos; o de 30 anos, a 5,216%, novo recorde em 25 anos. A alta dos rendimentos reflete a exigência de retorno para compensar a expansão do déficit, aumento da dívida e riscos futuros de inflação.
Alerta da J.P. Morgan Asset Management: risco de concentração em IA contamina mercado de dívida; cuidado com “trades congestionados”. Gabriela Santos, estrategista da J.P. Morgan Asset Management, alertou que o risco de concentração da “fator IA” já se espalhou do mercado de ações para o de renda fixa. Apesar da narrativa do “superciclo” persistir, é cada vez mais necessário cautela dos investidores. Segundo Santos, “você pode ser extremamente otimista com tudo relacionado a IA, mas ainda precisa ser muito cuidadoso ao construir o portfólio”. O alerta sobre concentração se estende às carteiras de renda fixa: a emissão de títulos de grau de investimento bateu recordes pelo quarto mês consecutivo, com empresas como Google emitindo até títulos de 100 anos. Investidores multiativos agora estão expostos ao risco da expansão de IA tanto em ações quanto em renda fixa.
BTIG: Quando a “música” parar, a corrida das cadeiras em Wall Street pode terminar a qualquer momento. O mercado acionário dos EUA vive uma divisão estrutural inédita. Os preços divergem do breadth de mercado, com o capital girando aleatoriamente entre fatores. Quando a “jogo das cadeiras” musical parar, os investidores podem enfrentar uma liquidação sincronizada não vista há meses. A amplitude do mercado é indicador chave de saúde. O estrategista técnico da BTIG, Jonathan Krinsky, destacou num relatório que já foram 57 pregões em 2026 nos quais preço e breadth divergem, empatando com os últimos dois anos pelo maior número em 30 anos — e ainda estamos em agosto, recorde deve ser quebrado. Krinsky alerta: “Estamos mais próximos disso do que muitos pensam” — quando não houver mais “cadeiras” no mercado, investidores serão forçados a ir para o caixa, provocando uma onda de vendas sincronizadas ausente há quase dez meses.
Enquanto rendimentos de Treasuries longos seguem elevados, opções de juros já antecipam corte para 2027. Com dados recentes indicando desaceleração da economia americana, operadores de títulos ajustam rapidamente suas apostas sobre o Fed. Mesmo com os yields dos Treasuries longos em patamar alto, o mercado de opções já registra fluxo apostando em cortes de juros pelo Fed em 2027 como hedge contra a fraqueza econômica. Esta mudança começou após a divulgação de uma série de indicadores: inflação e consumo desacelerando em julho, payroll surpreendendo com queda de 23 mil vagas, vendas no varejo registrando sua maior queda em um ano e enfraquecimento da confiança do consumidor. Como resultado, a expectativa de alta de juros na reunião de 16 de setembro despencou. Operadores de opções montam posições apostando que swaps irão precificar menos aumentos em breve, e alguns já buscam proteção para cortes ainda no primeiro semestre de 2027.
Lendário investidor aposta em recessão americana no próximo ano: inflação pode derrubar valuation das ações. Bilionário, CEO da Omega Advisors e ex-CEO do Goldman Sachs, Leon Cooperman voltou a alertar para riscos na economia e bolsas americanas. Ele prevê que os EUA podem entrar em recessão no próximo ano, puxando o mercado para baixo. Cooperman vê similaridade entre o momento atual e ciclos histórico-boom-bust como o colapso das “Nifty Fifty” nos anos 1970. O otimismo com IA pode arrefecer: “Acredito que veremos recessão em algum momento do ano que vem, o que pode provocar queda do mercado”. Cooperman diz que investidores ignoram o risco de nova aceleração da inflação, que também pode reduzir o valuation das ações. Ele segue fora do consenso de Wall Street, onde prevalece otimismo com IA. O Nasdaq 100 já acumula alta de 19% no ano, com chance de dois anos seguidos de ganhos de dois dígitos.
Notícias de empresas
SK Hynix (SKHY.US) sobe no pré-mercado após anunciar recompra de ações no valor de 40 trilhões de wones. Na quarta, a SK Hynix informou que irá recomprar e cancelar ações no valor de 40 trilhões de wones (aprox. US$ 28,61 bilhões). A recompra começa em 20 de agosto e deve durar cerca de três meses; todas as ações adquiridas serão canceladas. É a maior recompra/cancelamento da história entre empresas listadas da Coreia. A empresa anunciou ainda que irá aumentar a recompensa aos acionistas para acima de “50% do fluxo de caixa livre acumulado” (ante “até 50%”). O retorno considerará recompra e dividendos em dinheiro, além de a empresa estudar expandir a política de dividendos, incluindo dividendos fixos e extraordinários. Até o momento da redação, SK Hynix avançava mais de 3% no pré-mercado americano.
Moderna (MRNA.US) dispara no pré-mercado após sucesso de vacina personalizada contra melanoma em fase 3. Moderna e Merck anunciaram nesta quarta os resultados positivos de sua vacina personalizada de mRNA contra câncer, intismeran autogene, no primeiro estudo clínico de fase III. É o primeiro sucesso de Fase 3 para mRNA em oncologia, um marco também para imunoterapia personalizada. Segundo comunicado conjunto, o ensaio INTERpath-001 atingiu endpoint primário e secundários-chave — comparado ao uso isolado de Keytruda da Merck, a combinação vacina+Keytruda reduziu significativamente o risco de recidiva após cirurgia em pacientes com melanoma e inibiu a disseminação tumoral. É o primeiro regime que supera Keytruda em terapia adjuvante para melanoma, quando Keytruda já era padrão. O CEO da Moderna, Stéphane Bancel, disse que o produto pode ser aprovado já em 2027, dependendo do aval regulatório, chamando o resultado de “marco extraordinário para a ciência do mRNA”. Até o momento da redação, Moderna sobe mais de 95% e Merck mais de 8% no pré de NY.
Google (GOOGL.US) capta US$ 3,9 bilhões em sua primeira emissão de bonds em dólares australianos, ampliando onda de captação tech global. O gigante de tecnologia Google captou A$ 5,5 bilhões (US$ 3,89 bilhões) em seu primeiro lote de bonds em dólares australianos, ampliando a onda de captação de empresas tech globais. A emissão incluiu papéis de 3, 5, 10 e 20 anos, sendo o bond mais longo, de 20 anos, pagando cupom de 6,9%, o maior já pago pela empresa. Foi a estreia do Google no mercado australiano, com custo de captação de bonds longos próximo de 7%. Esta emissão segue a captação de US$ 25 bilhões em dólar feita no início do mês. Empresas de tecnologia recorrem cada vez mais aos mercados para financiar os grandes investimentos em IA, recorrendo menos ao caixa disponível.
Target (TGT.US) supera expectativas no 2º tri e eleva guidance para o ano. Segundo o balanço, a Target alcançou uma receita líquida total de US$ 26,54 bilhões no 2º tri, acima dos US$ 26,14 bilhões esperados; vendas líquidas cresceram 5,3% para US$ 25,95 bilhões; vendas nas mesmas lojas avançaram 3,8% (impulsionadas pelo crescimento de 3,6% no fluxo de clientes). O lucro ajustado por ação de US$ 2,46 também superou a expectativa de US$ 2,33. Após desempenho melhor que o esperado no 1º semestre, a Target elevou a perspectiva para o ano fiscal de 2026: prevê crescimento de cerca de 5% nas vendas líquidas do ano (acima da orientação anterior em 1 pp); margem operacional prevista em cerca de 6% (incluindo contribuição de cerca de 90 bps com reembolsos de tarifas alfandegárias). O EPS divulgado e ajustado foi elevado para US$ 9,90 a US$ 10,90.
Lowe's (LOW.US) apresenta resultados mistos no 2º tri e guidance anual abaixo do esperado. De acordo com o balanço, a Lowe's teve vendas 8% maiores no segundo trimestre, somando US$ 26 bilhões, abaixo dos US$ 26,1 bilhões esperados; o lucro ajustado por ação, de US$ 4,40, superou o consenso de US$ 4,22. Contudo, a empresa estima que os lucros e receitas do ano fiscal encerrado em janeiro de 2027 ficarão próximos do limite inferior das projeções anteriores, esperando uma receita de US$ 92 bilhões e lucro por ação de US$ 12,25, abaixo do esperado de US$ 92,9 bilhões e US$ 12,43 por ação. Os resultados pressionaram ainda mais a ação da companhia. O mercado imobiliário dos EUA se recupera, mas os preços altos impactam os gastos com reformas em 2026. Até o momento da redação, Lowe’s caía mais de 3% no pré-mercado de NY.
Keysight (KEYS.US) supera expectativas no 3T, puxada pela demanda de data centers para IA; guidance forte para 4T/ano integral. O rápido crescimento dos data centers de IA impulsionou a demanda pelos softwares e instrumentos de testes da Keysight, fazendo a companhia superar projeções de lucro e receita e elevar as projeções para o trimestre seguinte e o ano. O faturamento do 3º tri ficou em US$ 1,85 bilhão, alta de 36,5% ante 2025 e acima dos US$ 1,75 bilhão projetados; o lucro ajustado por ação foi de US$ 3,07, ante US$ 2,48 esperados. Pedidos do trimestre subiram para US$ 2,09 bilhões (+56%), com pedidos core em alta de 52% — ambos acima das projeções de US$ 1,86 bilhão. Para o 4º tri, a companhia projeta EPS ajustado de US$ 3,34–3,40 e receita de US$ 1,93–1,95 bilhão, midpoint de US$ 3,37 (+76%) e US$ 1,94 bilhão (+37%), bem acima do consenso de US$ 2,68 e US$ 1,83 bilhão.
Principais dados e eventos econômicos agendados
02:00 (horário de Pequim) do dia seguinte: Federal Reserve divulga ata da reunião de política monetária
Prévia de resultados
Antes da abertura na quinta-feira: Walmart (WMT.US), Alibaba (BABA.US), NetEase (NTES.US), Youdao (DAO.US), Futu (FUTU.US), Autohome (ATHM.US), Daqo New Energy (DQ.US), NewBridge Pharma (NBP.US)
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