Deutsche Bank: Japão pode mudar foco da política de apoiar o iene para controlar os rendimentos dos títulos do governo a fim de sustentar o plano de crescimento econômico
O Deutsche Bank afirmou que, para alcançar as ambiciosas metas de crescimento econômico do governo japonês, o Japão pode precisar, no futuro, mudar o foco da política de sustentar o iene para controlar os rendimentos dos títulos do governo, a fim de reduzir os custos de financiamento e garantir a sustentabilidade fiscal.
De acordo com o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Financeiro, o Deutsche Bank afirmou que, para alcançar as ambiciosas metas de crescimento econômico do governo japonês, o Japão possivelmente precisará mudar o foco das políticas do apoio ao iene para o controle dos rendimentos dos títulos públicos, a fim de reduzir os custos de financiamento e garantir a sustentabilidade fiscal.
No final do mês passado, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou um plano de crescimento econômico de cerca de US$ 2,3 trilhões. A estrategista do Deutsche Bank, Mallika Sachdeva, destacou em seu último relatório que esse plano indica que o Japão está em um ponto crucial de grande transformação em suas políticas fiscal e industrial, e o governo precisa manter a sustentabilidade fiscal ao mesmo tempo em que amplia os gastos públicos. Segundo o plano de crescimento, o governo japonês espera fornecer fontes de financiamento para os grandes gastos públicos ativando a poupança doméstica e incentivando investidores institucionais de grande porte a aumentar a alocação em ativos nacionais. Ao mesmo tempo, o Japão precisa garantir que o crescimento econômico nominal permaneça acima dos custos de financiamento para manter a sustentabilidade da dívida.
Sachdeva acredita que, para alcançar esses dois objetivos, o governo japonês possivelmente precisará adotar medidas para diminuir os rendimentos dos títulos públicos e controlar o custo geral de financiamento.
Isso significa que o foco da política no Japão pode mudar. Nos últimos tempos, o governo japonês e o Banco Central do Japão vinham trabalhando para conter a desvalorização do iene, inclusive com repetidas intervenções cambiais de grande escala, porém com eficácia limitada. Nesta semana, o iene chegou a cair ao nível mais baixo em cerca de 40 anos, mas se recuperou um pouco após notícias na mídia informarem que autoridades do Banco Central do Japão estariam dispostas a subir os juros mais rapidamente do que o mercado esperava.
Sachdeva afirmou que, caso o fortalecimento fiscal se torne prioridade nas políticas, o foco futuro pode migrar da gestão cambial para o gerenciamento dos rendimentos, ou seja, deixar de focar na taxa dólar/iene e passar a controlar os rendimentos dos títulos públicos de 10 anos e o custo geral do endividamento.
De fato, o Japão implementou de 2016 a 2024 a política de controle da curva de rendimentos (YCC), buscando reduzir custos de financiamento. Outros países, como os Estados Unidos, também já adotaram medidas semelhantes no passado — durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os EUA controlaram os rendimentos dos títulos públicos para financiar a guerra.
O Deutsche Bank apontou que o Japão não é a única economia desenvolvida, sob alta pressão de endividamento, que também busca revitalizar o crescimento econômico, mas devido ao fato da dívida do governo japonês ter ultrapassado 200% do PIB, o espaço fiscal do país é claramente menor do que o de outras grandes economias.
As preocupações com a sustentabilidade da dívida já começaram a se refletir no mercado de títulos. Desde o início deste ano, os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo do Japão vêm subindo, com o rendimento dos títulos de 30 anos atingindo níveis históricos.

Sachdeva prevê que, no futuro, o Japão provavelmente gerenciará os rendimentos de longo prazo influenciando a demanda por títulos. Uma via possível é exigir que o Fundo de Investimento em Pensão do Governo Japonês (GPIF), com cerca de US$ 1,8 trilhão em ativos, eleve a proporção de alocação em ativos nacionais para aumentar a demanda por títulos públicos japoneses.
Outra possibilidade é o Banco Central do Japão voltar a apoiar mais ativamente o mercado de títulos, seja retomando a compra de títulos públicos, seja mantendo políticas monetárias acomodatícias para ajudar no controle dos rendimentos.
No entanto, ela ressalta que, caso o Banco Central volte a comprar títulos ou mantenha políticas flexíveis, o iene poderá sofrer pressões; por outro lado, se o GPIF repatriar parte dos ativos no exterior para o Japão, isso poderia apoiar o iene.
Sachdeva afirmou que, no futuro, enquanto o Japão busca conter a volatilidade dos rendimentos dos títulos públicos, a volatilidade do mercado cambial também pode se intensificar ainda mais.
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