General Motors (GM.US) mostra resiliência durante período de transição: “retração estratégica” nos veículos elétricos leva lucro líquido do segundo trimestre a cair 31%, mas empresa eleva projeção anual de lucro novamente este ano
O lucro líquido da General Motors no segundo trimestre caiu 31%, mas a empresa surpreendeu ao elevar sua projeção anual: um contraste entre a lucrativa linha de carros a combustão na América do Norte e o corte de US$ 11 bilhões em veículos elétricos.
Segundo o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Financeiro, em 21 de julho, a General Motors (GM.US) divulgou um relatório financeiro do segundo trimestre com um forte “duplo caráter”: o lucro operacional ajustado antes de juros e impostos (EBIT) cresceu 29,8% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 3,9 bilhões; o lucro por ação ajustado foi de US$ 3,57, muito acima da expectativa de US$ 3,19; a margem de lucro saltou de 6,4% para 8,2%; a receita cresceu 1,9% ano a ano, chegando a US$ 48,03 bilhões, também acima do esperado. No entanto, o lucro líquido atribuído aos acionistas caiu 31%, para US$ 1,3 bilhão, devido a um encargo especial de US$ 2,3 bilhões relacionado a veículos elétricos. Apesar do impacto no lucro líquido, a empresa anunciou o segundo aumento na orientação anual de lucro neste ano.
Com o ímpeto forte do primeiro semestre, a General Motors anunciou o segundo aumento para a orientação anual: o EBIT ajustado de 2026 ficará entre US$ 14 bilhões e US$ 16 bilhões neste ano, acima da previsão de abril de 2026 de US$ 13,5 bilhões a US$ 15,5 bilhões, e também acima da previsão de janeiro de US$ 13 bilhões a US$ 15 bilhões. A mediana da orientação de lucro por ação ajustado ficou em US$ 13, acima da expectativa consensual dos analistas de US$ 12,79.

No entanto, a orientação para o lucro líquido atribuído aos acionistas foi reduzida em pelo menos US$ 1,5 bilhão, para um intervalo de US$ 8,4 bilhões a US$ 9,8 bilhões. A divergência entre o lucro líquido e o lucro operacional essencial tem origem na retração estratégica da General Motors no segmento de veículos elétricos.
Retração estratégica em veículos elétricos: lucro líquido despenca 31%, novo encargo de US$ 2,3 bilhões, desvalorização acumulada atinge US$ 10,9 bilhões
No segundo trimestre, o lucro líquido GAAP atribuído aos acionistas da General Motors foi de US$ 1,3 bilhão, uma queda de 31,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 1,9 bilhão. O responsável pela queda acentuada do lucro líquido foi um encargo especial de cerca de US$ 2,3 bilhões referente à “reestruturação estratégica de veículos elétricos”.
A composição desse encargo é bastante complexa: inclui tanto desvalorização não-caixa quanto despesas em dinheiro para resolver reivindicações de fornecedores devido ao mercado de veículos elétricos menor do que o previsto. O porta-voz da General Motors, David Caldwell, afirmou que esse encargo é uma “combinação de despesas não-caixa e em dinheiro” para resolver reivindicações de fornecedores geradas pela menor demanda do mercado de veículos elétricos.
Este não é um evento único. Desde o segundo semestre de 2025, quando iniciou a retração estratégica nos veículos elétricos, a General Motors já acumulou US$ 10,9 bilhões em encargos relacionados à desvalorização de veículos elétricos. Uma análise da Signalbloom aponta que, apenas no primeiro semestre de 2026, os encargos com “reestruturação estratégica de veículos elétricos” já somam US$ 3,36 bilhões. A empresa espera que este plano de retração gere US$ 7,2 bilhões em gastos em dinheiro, dos quais US$ 4,5 bilhões já foram pagos até o final do segundo trimestre. A empresa informou que os grandes encargos com desvalorização de ativos já estão praticamente concluídos.
Essa movimentação contábil fez o EBIT ajustado subir para uma margem de 8,2% (aumento anual de 180 pontos base), mas a margem de lucro líquido GAAP foi comprimida para apenas 2,7%. A General Motors está usando indicadores não-GAAP para contar uma história de “crescimento do lucro”, mas os dados GAAP estão mostrando a realidade dos custos da “retirada estratégica” corroendo o retorno aos acionistas.
O pano de fundo deste ajuste estratégico é que a General Motors está se afastando de metas agressivas de eletrificação, focando mais no lucro proveniente de carros a combustão e modelos híbridos. Em carta aos acionistas, Mary Barra destacou que a empresa possui “vários motores de crescimento de margem e lucro” e mantém “disciplina de capital”.
Propulsor de veículos a combustão na América do Norte acelera: picapes e SUVs sustentam margem de 8,6%
Todo o crescimento do lucro da General Motors vem do seu principal negócio na América do Norte. O EBIT ajustado na América do Norte atingiu US$ 3,45 bilhões, um aumento anual de 42,7%, com a margem de lucro saltando de 6,1% para 8,6% em relação ao ano anterior.
A General Motors conseguiu expandir a margem de lucro mesmo com queda nas vendas. No segundo trimestre, as vendas nos EUA caíram 4,2%, para cerca de 715 mil unidades, mas a empresa manteve a lucratividade graças ao rígido controle de estoques e à disciplina de preços. A CEO Mary Barra afirmou na carta aos acionistas: “Nossa margem EBIT ajustada de 8,6% na América do Norte subiu 2,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior, enquanto reduzimos custos com garantia, contivemos perdas em veículos elétricos e aumentamos a eficiência operacional.”

Este milagre de lucro se estabelece em dois pilares. O primeiro é o controle rigoroso do poder de precificação—no segundo trimestre, a General Motors controlou rigorosamente os subsídios à compra, mantendo o preço médio dos veículos em US$ 52 mil, um patamar elevado; os incentivos representaram apenas 4,7% do MSRP, abaixo da média do setor, que é de 6,3%. O segundo é a otimização do mix de produtos—modelos de alto lucro, como picapes e SUVs, continuam com forte demanda, e Mary Barra afirmou na carta aos acionistas que o portfólio de picapes e SUVs na América do Norte “segue observando uma forte demanda do consumidor”.
Ao mesmo tempo, o estoque de concessionárias caiu 3% em relação ao ano anterior, mantendo a rotação entre 50 e 60 dias, dentro da meta. A receita patrimonial dos negócios na China foi de US$ 83 milhões, acima dos US$ 71 milhões do ano anterior. A receita de serviços digitais cresceu 20% em relação ao mesmo período.
O diretor financeiro Paul Jacobson disse na teleconferência de resultados que o lucro por ação ajustado do primeiro semestre foi o maior da história, com um crescimento anual de 25%, e afirmou que o preço atual das ações, em torno de US$ 75, está “muito atraente para investidores”.
Queda nas vendas e perda de market share: preocupações latentes
No entanto, sob a fachada de crescimento do lucro, há uma preocupação crescente com a queda nas vendas. As vendas da General Motors nos EUA caíram 4,2% no segundo trimestre, para cerca de 715 mil unidades. A empresa informou que a queda nas vendas se deve principalmente à descontinuação de modelos (Cadillac XT4, XT6 e Chevrolet Malibu), além de uma queda acentuada na demanda por veículos elétricos após o vencimento do incentivo fiscal federal—essa política já havia antecipado a demanda até o fim de 2025. No primeiro semestre deste ano, o volume total de entregas da General Motors caiu 6,8% em relação ao ano anterior.
A fatia de mercado também está sob pressão. Nos Estados Unidos, a participação da General Motors caiu 80 pontos base, para 16,6%. Na China, recuou ainda mais, para 6,6%. Embora a receita patrimonial das joint ventures na China tenha aumentado de US$ 71 milhões para US$ 83 milhões no ano, este é o terceiro trimestre consecutivo de lucro, ainda bem abaixo dos US$ 165 milhões do primeiro trimestre, e as vendas da General Motors na China despencaram mais de 20% ano a ano.
Pressão tarifária permanece: fardo pesado de US$ 2,5 bilhões a US$ 3,5 bilhões
As tarifas da era Trump continuam corroendo o lucro da General Motors. A empresa manteve sua estimativa de custo anual com tarifas inalterada, entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões.
Pelo lado positivo, a situação melhorou em relação ao ano passado. No segundo trimestre do ano passado, a General Motors arcou com custos elevados de US$ 1,1 bilhão devido à tarifa de 25% sobre todos os carros e peças importados dos EUA imposta pelo governo Trump. Neste ano, com a Suprema Corte derrubando parte das tarifas, a General Motors recebeu cerca de US$ 500 milhões em restituição. A empresa também mitigou parte do impacto das tarifas através de ajustes na cadeia de suprimentos, transferência de parte da produção para os EUA e negociações com fornecedores.
Além disso, espera-se que a inflação dos custos de matérias-primas, chips e logística impacte o lucro anual em US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões.
O que preocupa o mercado?
Embora a General Motors tenha elevado pelo segundo trimestre consecutivo sua orientação de EBIT ajustado anual para US$ 14 bilhões a US$ 16 bilhões (anteriormente US$ 13,5 bilhões a US$ 15,5 bilhões) e ajustado o lucro por ação projetado para US$ 12 a US$ 14.
As preocupações do mercado estão concentradas em três pontos:
Primeiro, a divergência entre o lucro GAAP e o lucro ajustado está aumentando. A Signalbloom aponta que o crescimento de 41,3% do lucro por ação ajustado no segundo trimestre foi alcançado após excluir US$ 2,6 bilhões em itens de ajuste antes dos impostos. Os investidores questionam quanto tempo essa “divulgação seletiva” poderá durar.
Segundo, o custo da retração dos veículos elétricos ainda não terminou. A General Motors afirma que os encargos de desvalorização estão “praticamente concluídos”, mas a desvalorização acumulada de US$ 10,9 bilhões, previsão de US$ 7,2 bilhões em despesas de caixa e US$ 4,5 bilhões já pagos mostram que o custo financeiro dessa retração estratégica ainda está sendo liberado.
Terceiro, persistem as incertezas macroeconômicas. Na orientação de resultados, a General Motors assumiu que a situação no Oriente Médio não se agravará significativamente, que os custos das commodities não subirão muito e que a inflação não voltará a disparar. Porém, o conflito EUA-Irã continua, o Estreito de Ormuz está tenso e o preço do petróleo voltou a superar US$ 90, desafiando essas previsões.
Ainda assim, analistas de Wall Street seguem otimistas em sua maioria. O JP Morgan manteve a recomendação “overweight” e elevou o preço-alvo de US$ 98 para US$ 110 em 8 de julho; o Citi reiterou a recomendação de “compra” e, em 1º de junho, elevou o preço-alvo de US$ 108 para US$ 131; o RBC Capital manteve “superar o mercado”; o UBS definiu preço-alvo de US$ 102. Segundo a FactSet, o preço-alvo médio dos analistas é de US$ 95,85, o que implica potencial de alta de mais de 20% sobre a cotação atual. O Wells Fargo é um dos poucos pessimistas, mantendo a recomendação “venda”, com preço-alvo de apenas US$ 60.
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