Primeiro grande projeto de investimento nos EUA sofre reviravolta? Rumores apontam pressão dos Estados Unidos para que Samsung e SK Hynix construam fábricas de memória em solo americano; Coreia do Sul nega urgentemente, mas se recusa a divulgar detalhes
A Casa Azul, sede do governo da Coreia do Sul, negou recentemente uma reportagem da mídia local que alegava que o governo estava discutindo com os Estados Unidos tornar um projeto de semicondutores o primeiro investimento no âmbito do compromisso de investimento de 350 bilhões de dólares americanos.
De acordo com a plataforma de notícias financeiras Zhihu, o gabinete presidencial sul-coreano, a Casa Azul, negou recentemente um relatório da mídia local que afirmava que o governo estava em negociações com os Estados Unidos para definir um projeto de semicondutores como o primeiro investimento do compromisso de US$ 350 bilhões de investimento nos EUA. Em comunicado por mensagem de texto, a Casa Azul declarou que a notícia de que os dois países estão discutindo a escolha dos semicondutores como primeiro projeto estratégico de investimento "não é verdadeira", mas recusou-se a fornecer mais detalhes sobre as conversas em torno do compromisso de investimento entre Coreia do Sul e EUA.
Segundo informações, reportagens anteriores citaram um funcionário não identificado do partido governista afirmando que os Estados Unidos já pediram à Coreia do Sul que priorizasse o investimento em instalações de produção de chips de memória em solo americano, o que trouxe incerteza ao projeto de investimento que Seul inicialmente planejava anunciar no final deste mês.
De acordo com o relatório, essa exigência dos Estados Unidos teria sido o tema central da reunião comercial a portas fechadas da Casa Azul em 13 de agosto. Antes disso, a Coreia do Sul considerava dar prioridade ao setor de energia como primeiro grande projeto de investimento nos EUA, mas uma mudança repentina de ordem nas prioridades por parte dos americanos, juntamente com novas exigências, alterou o rumo das negociações.
A maioria dos funcionários presentes considera que investir em instalações de produção de chips de memória nos EUA não é realista. O principal motivo é que a Samsung Electronics (SSNLF.US) e a SK Hynix (SKHY.US) já anunciaram investimentos de cerca de 800 trilhões de wons sul-coreanos (aproximadamente US$ 580 bilhões) na construção de centros de dados e chips na região de Honam, no sul da Coreia. Um novo investimento em larga escala em memória nos Estados Unidos poderia dispersar a capacidade de investimento das empresas e prejudicar o desenvolvimento do cluster industrial e do ecossistema de semicondutores doméstico. Uma fonte afirmou: "A memória é um setor estratégico para a Coreia do Sul e deve ser considerada juntamente com os clusters e o ecossistema nacional de semicondutores."
O momento em que os Estados Unidos apresentaram formalmente essa demanda também foi bastante delicado. O governo coreano havia anunciado, no fim de junho, o plano de investimento maciço da Samsung Electronics e da SK Hynix na região de Honam. Em 9 de julho, o Secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, citou publicamente as duas empresas, dizendo esperar "levar ambas para construir instalações de produção nos Estados Unidos." O diretor de política da Casa Azul, Kim Yong-beom, respondeu posteriormente nas redes sociais: "A ampliação das fábricas de wafers na República da Coreia é um projeto nacional." Após isso, a questão das memórias saiu do debate público e entrou em negociações de bastidores.
Nesse contexto, o Ministro da Indústria, Comércio e Energia da Coreia do Sul, Kim Jung-kwan, foi urgentemente aos Estados Unidos no dia 16, apenas três semanas após sua última visita. Em Washington, Kim Jung-kwan afirmou que a Coreia do Sul ainda espera anunciar um projeto de investimento entre o final de agosto e o início de setembro, mas que, na fase final das negociações, surgiram várias questões práticas específicas. Analistas do meio diplomático acreditam que isso demonstra que ainda há divergências entre os dois lados na escolha dos projetos, escala de investimento e condições.
O que mais preocupa a Coreia do Sul é que o adiamento do anúncio do investimento está reacendendo a pressão tarifária dos Estados Unidos. Fontes afirmam que os EUA voltaram a mencionar a possibilidade de retomar tarifas mais altas sobre produtos coreanos como automóveis. Em janeiro deste ano, o então presidente Donald Trump ameaçou restaurar as tarifas sobre carros coreanos de 15% para 25%, alegando lentidão na aprovação da lei especial para investimentos nos EUA, mas, após a aprovação da lei em março, a pressão diminuiu. Agora, com o projeto número um ainda indefinido, o descontentamento dos americanos volta a crescer.
A pressão também dá sinais de se estender para a área de cooperação em segurança. As negociações sobre a introdução de submarinos nucleares e a revisão do acordo de energia atômica entre os dois países, que começaram em junho em Seul, ainda não tiveram sua segunda rodada, originalmente prevista para julho em Washington. Lideranças do partido governista temem que "questões comerciais estejam a minar as negociações de segurança" e alertam que se os EUA usarem a cooperação em segurança como moeda de troca, o cenário pode se complicar ainda mais.
Analistas entendem que atualmente a Coreia do Sul vive um dilema: por um lado, precisa anunciar rapidamente o primeiro grande projeto de investimento nos EUA para demonstrar boa vontade e acalmar as relações; por outro, as exigências cada vez maiores dos americanos aumentam simultaneamente a pressão sobre a lógica comercial e a proteção da indústria nacional. Caso o país não lide adequadamente com a situação, as negociações sobre investimentos podem se arrastar e as parcerias econômica e de segurança entre Coreia do Sul e Estados Unidos também podem ser prejudicadas.
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