Destaques do relatório financeiro do segundo trimestre de 2026 da AMD: receita e lucro superam as expectativas, negócios de data center dobram com crescimento de 107%, orientação para o terceiro trimestre aquém de algumas expectativas agressivas, levando a forte queda nas ações
2026/08/05 03:21Pontos principais
AMD divulgou o relatório financeiro do segundo trimestre de 2026, com receita de US$ 11,536 bilhões, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde histórico e superando a expectativa do mercado (aproximadamente US$ 11,3 bilhões); o lucro por ação não-GAAP foi de US$ 1,66, acima dos US$ 1,62 esperados. A receita do setor de Data Center chegou a US$ 6,718 bilhões, um aumento de 107% em relação ao ano anterior, representando cerca de 58% da receita total, sendo o principal motor de crescimento. A margem bruta GAAP subiu para 54% (alta de 14 pontos percentuais em relação ao ano anterior), e a margem não-GAAP foi de 56%. Apesar do desempenho acima do esperado, o guidance de receita para o terceiro trimestre é de aproximadamente US$ 13 bilhões (±US$ 300 milhões), superando a média de Wall Street (US$ 12,5 bilhões), mas abaixo das previsões mais agressivas de parte dos investidores, somado à valorização acumulada das ações de mais de 100% no ano, com a avaliação já refletindo totalmente o crescimento da IA. As ações caíram cerca de 8,8%-9% no pós-mercado e no noturno. O foco do mercado mudou de “a AMD pode se beneficiar da IA?” para “consegue acompanhar o ritmo de crescimento dos líderes em IA?”.

Análise detalhada
- Desempenho geral de receita e lucro
- Receita: US$ 11,536 bilhões, aumento de 50% em relação ao ano anterior (US$ 7,685 bilhões no mesmo trimestre do ano anterior) e 13% no trimestre (US$ 10,253 bilhões trimestre anterior), superando as previsões de cerca de US$ 11,3 bilhões/US$ 11,28 bilhões.
- Margem bruta GAAP: 54%, alta de 14 pontos percentuais ano a ano; margem bruta não-GAAP: 56%.
- Lucro operacional GAAP: US$ 1,99 bilhão (prejuízo de US$ 134 milhões no mesmo período do ano anterior); lucro operacional não-GAAP: cerca de US$ 3,1 bilhões.
- Lucro líquido GAAP: US$ 2,297 bilhões; lucro líquido não-GAAP: cerca de US$ 2,8 bilhões.
- Lucro diluído por ação GAAP: US$ 1,38; lucro diluído por ação não-GAAP: US$ 1,66 (acima das expectativas de US$ 1,62/1,61).
- Caixa e investimentos de curto prazo: cerca de US$ 13,111 bilhões; dívida total: cerca de US$ 3,226 bilhões.
- Fatores de impulsão: forte demanda por Data Center (CPU para servidores EPYC e GPU Instinct AI) compensou a queda nos negócios de jogos.
- Desempenho do segmento de Data Center
- Receita: US$ 6,718 bilhões (aprox. US$ 6,7 bilhões), aumento anual de 107%, representando 58% da receita total da companhia (cerca de 42% no mesmo período do ano anterior).
- Lucro operacional: US$ 2,103 bilhões (prejuízo no ano anterior).
- Fatores de impulsão: forte demanda por processadores para servidores EPYC e GPU Instinct, com crescimento acelerado nas vendas para clientes de nuvem e empresas; a empresa informou que o segmento de Data Center terá aceleração adicional na segunda metade de 2026.
- Progresso estratégico: lançamento da solução de rack de servidor Helios AI e parceria com Anthropic (implantação de até 2 GW da série MI450 de GPUs), expansão da parceria com a Microsoft Azure; lançamento da série Instinct MI400 (incluindo MI455X) para treinamento e inferência de IA em larga escala, passando de vendas de chips individuais para sistemas completos de IA, desafiando a Nvidia.
- Desempenho de outros segmentos
- Client (Cliente): Receita de cerca de US$ 3,062-3,1 bilhões, um aumento de 23% ao ano, impulsionado principalmente pela demanda por processadores Ryzen.
- Gaming (Jogos): Receita de US$ 779 milhões, queda de 31% ao ano, devido à redução nas receitas de chips semicustomizados.
- Client & Gaming juntos: Cerca de US$ 3,841 bilhões, um aumento de 6% ao ano.
- Embedded (Embarcados): Receita de US$ 977 milhões, aumento de 19% ao ano.
- No cenário geral, o crescimento dos segmentos de Cliente e Embarcados compensou parcialmente a queda no setor de jogos.
- Despesas de capital e planos futuros
- Despesas de capital do trimestre: aproximadamente US$ 808 milhões.
- Foco da empresa em infraestrutura de IA: aceleração da implantação das GPUs Instinct, implementação da solução de rack Helios, e destaque para a replicação do caminho da Nvidia na abordagem “chip + sistema + ecossistema de software”.
- A administração afirmou que a IA está impulsionando significativamente a demanda de computação em todos os mercados, e o portfólio de produtos e a visibilidade dos clientes ajudam a capturar as oportunidades de crescimento.
- Orientação para o próximo trimestre (Q3 de 2026)
- Expectativa de receita: cerca de US$ 13 bilhões (±US$ 300 milhões), valor médio refere-se a um crescimento de cerca de 41% ano a ano e cerca de 13% trimestre a trimestre.
- Acima da média de Wall Street, de cerca de US$ 12,5 bilhões, mas abaixo das expectativas de alguns analistas (alguns esperavam US$ 14 bilhões).
- Margem bruta não-GAAP estimada: cerca de 56%.
- A administração prevê aceleração do segmento de Data Center na segunda metade do ano, impulsionando ainda mais a expansão da receita e do lucro.
- Cenário de mercado e preocupações dos investidores
- Reação das ações: Após a divulgação do balanço, as ações caíram cerca de 8,8%-9% após o fechamento (preço de fechamento anterior cerca de US$ 518,58), acumulando alta superior a 100% no ano; a expectativa de crescimento da IA já está altamente precificada e a tolerância para o ritmo de crescimento diminuiu.
- Contradição central: desempenho e guidance superaram consenso, mas “não foram surpreendentes o bastante”; o mercado mudou a dúvida de “AMD pode se beneficiar da IA?” para “consegue crescer rápido o suficiente para tomar mercado da Nvidia no segmento de aceleradores de IA?”.
- Competição e riscos: a Nvidia ainda domina o mercado de aceleradores de IA; a AMD precisa provar competitividade em performance, adoção de desenvolvedores e fornecedores de nuvem de forma sustentável; setor de jogos continua pressionado; ritmo dos ciclos de semicondutores e dos investimentos em IA ainda são variáveis.
- Impacto no setor: Após o balanço, ações de outras empresas de semicondutores, como a Intel e Arm, também caíram no after market/noturno. A construção de infraestrutura de IA continua como principal motor, mas o desempenho futuro dependerá da participação de mercado das GPUs, expansão de clientes de nuvem e desenvolvimento do ecossistema.
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