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Encomendas de energia por IA disparam, mas não superam os ventos contrários! Lucro do segundo trimestre da GE Vernova (GEV.US) fica abaixo do esperado, custos de tarifas e prejuízos em energia eólica pressionam as perspectivas

Encomendas de energia por IA disparam, mas não superam os ventos contrários! Lucro do segundo trimestre da GE Vernova (GEV.US) fica abaixo do esperado, custos de tarifas e prejuízos em energia eólica pressionam as perspectivas

智通财经智通财经2026/07/22 14:21
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Por:智通财经

Os lucros do segundo trimestre da GE Vernova ficaram abaixo do esperado, e a empresa prevê um impacto tarifário de até 200 milhões de dólares.

O aplicativo financeiro Zhihui Finance soube que a GE Vernova (GEV.US) divulgou os resultados do segundo trimestre antes da abertura do mercado nesta quarta-feira. Este gigante de energia recém-desmembrado da General Electric teve uma receita trimestral que disparou 21,9% em relação ao ano anterior, atingindo US$11,1 bilhões, superando facilmente a expectativa de mercado de US$10,8 bilhões. No entanto, o lucro por ação (GAAP) foi de apenas US$2,47, uma queda de 22,4% em relação ao consenso dos analistas de US$3,18 por ação. O que mais preocupou o mercado foi o alerta da empresa de que as tarifas globais de 2026 trarão um custo extra de cerca de US$100 a 200 milhões, somado ao contínuo prejuízo no negócio de energia eólica. Com isso, as ações despencaram mais de 8% nas negociações pré-mercado e, até o momento da publicação, a queda diminuiu para 5,6%.

Dados financeiros principais: Receita acima do esperado, indicadores de lucratividade abaixo do esperado

O relatório mostra que o lucro principal ajustado da GE Vernova no segundo trimestre foi de US$1,25 bilhão, abaixo da expectativa média dos analistas coletada pela LSEG, de US$1,28 bilhão. A empresa afirmou explicitamente que as tarifas globais de 2026 aumentarão os custos em cerca de US$100 a 200 milhões. Embora parte desse custo possa ser mitigado por cláusulas contratuais e medidas de repasse, essa pressão destaca o dilema geral enfrentado pelos fabricantes diante do aumento das barreiras comerciais globais.

Em termos de qualidade do lucro, o lucro líquido trimestral da empresa foi de US$600 milhões, com margem líquida de 5,8%. A margem EBITDA ajustada saltou 340 pontos-base em relação ao ano anterior, para 11,3%. O CEO da GE Vernova, Scott Strazik, declarou: “A demanda global por nossos produtos e soluções continua crescendo, e o momento da empresa está se fortalecendo”.

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Pedidos disparam 88% impulsionados pelos data centers de IA

O destaque nos resultados da GE Vernova no trimestre foram os pedidos. A empresa reportou US$24,2 bilhões em pedidos no segundo trimestre, quase o dobro dos US$12,4 bilhões do ano anterior, um crescimento orgânico de 88%. No final do trimestre, o backlog de pedidos atingiu US$176 bilhões, um aumento de US$13 bilhões em relação ao trimestre anterior.

O principal motor do aumento de pedidos é a demanda de energia para data centers de IA. O segmento de eletrificação teve lucro principal de US$671 milhões, mais que o dobro em relação ao ano anterior. Neste setor, os pedidos cresceram organicamente 66% no segundo trimestre, para US$6,3 bilhões, e no acumulado do ano, os pedidos de data centers já ultrapassaram US$5 bilhões, mais que o dobro do total anual de 2025. O boom de IA está migrando do nível de chips e servidores para a infraestrutura elétrica, a chamada “camada física”.

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O setor de energia também teve desempenho robusto, com lucro principal de US$1,03 bilhão, crescimento em torno de 31,3% em relação ao ano anterior. O setor assinou contratos de turbinas a gás de 20 GW, aumentando o backlog de turbinas a gás de 100 GW para 116 GW; a previsão da empresa é que esse número alcance pelo menos 125 GW até o final de 2026. Atualmente, cerca de 20% dos pedidos de geração a gás vêm de projetos ligados a data centers e IA, com entregas agendadas até 2030 e 2031.

Três principais segmentos: eletrificação e energia avançam forte, eólica segue como principal “ponto de sangramento”

O segmento de eletrificação é o campeão incontestável do crescimento. O lucro principal desse setor subiu de US$314 milhões para US$671 milhões em relação ao ano anterior, enquanto os pedidos de data centers já somam mais de US$5 bilhões neste ano, mais que o dobro do total de todo 2025. A expansão da IA e a consequente demanda por modernização de redes elétricas continuam impulsionando fortemente este segmento.

O setor de energia também teve destaque, com lucro principal chegando a US$1,03 bilhão, um crescimento de 31,3%. Os pedidos de turbinas a gás continuam robustos e, agora, a previsão de contratos para final de 2026 saltou de, no mínimo, 100 GW para 125 GW.

A divisão eólica, por sua vez, é o único “ponto de sangramento” do balanço. A receita do setor caiu cerca de 10% para US$2,03 bilhões no trimestre, com prejuízo principal aumentando para US$275 milhões. As entregas de equipamentos onshore seguem fracas e contratos históricos de offshore seguem acumulando perdas devido ao descasamento de custos. No trimestre anterior, o prejuízo da divisão já havia saltado de US$146 milhões para US$382 milhões, e a piora contínua neste segundo trimestre mostra que a crise está longe do fim.

Sombra das tarifas: impacto de custos de US$ 100 a 200 milhões em 2026

Enquanto a demanda elétrica impulsionada por IA beneficiou os segmentos de eletrificação e energia, as barreiras comerciais globais tornaram-se uma fonte de pressão de custos difícil de ignorar.

A GE Vernova afirmou explicitamente nesta quarta-feira que as tarifas globais de 2026 aumentarão seus custos em cerca de US$100 a 200 milhões. Em guidance anterior, estimava o impacto anual das tarifas entre US$250 e 350 milhões; agora, o número foi detalhado para a faixa de US$100 a 200 milhões — embora mais restrito, ainda proporciona erosão contínua da lucratividade.

O impacto das tarifas é particularmente grave para o negócio eólico. A redução das entregas onshore já reflete parcialmente o efeito das tarifas. Projetos offshore de energia eólica, por si só, enfrentam pressões de custos extras, as tarifas potencializam ainda mais as perdas do segmento.

Guidance para 2026 é fortemente revisado: meta de fluxo de caixa quase dobra

Apesar da dupla pressão das tarifas e dos prejuízos da energia eólica, a GE Vernova, baseada no sólido backlog de pedidos e forte geração de caixa, elevou consideravelmente o guidance financeiro para 2026:

Receita: de US$44,5–45,5 bilhões para US$45,5–46,5 bilhões;

Fluxo de caixa livre: de US$6,5–7,5 bilhões para US$11,5–12,5 bilhões, quase dobrando o guidance;

Margem EBITDA ajustada: mantida na faixa de 12%–14%;

O salto quase de 100% na meta de fluxo de caixa livre é o destaque da revisão. Só no segundo trimestre, o fluxo de caixa livre somou US$5,1 bilhões, superando o total previsto para todo o ano de 2025. O caixa ao fim do trimestre somava US$13,1 bilhões, e no acumulado do ano, US$3,9 bilhões em capital já foi devolvido aos acionistas.

O CFO Ken Parks afirmou: “Com base no nosso forte desempenho financeiro, já revisamos para cima o guidance anual de receita e de fluxo de caixa livre”.

Reação do mercado: queda acentuada no pré-mercado revela “avaliação seletiva”

Apesar dos diversos pontos positivos — receita acima do esperado, pedidos dobrando, salto no fluxo de caixa livre e guidance anual revisado para cima —, o mercado reagiu com uma queda de quase 8% no pré-mercado.

Essa reação aparentemente contraditória revela a lógica de “valuation seletiva” do mercado para a GE Vernova:

Primeiro, a diferença na qualidade dos lucros. O lucro por ação GAAP de US$2,47 ficou 22,4% abaixo do esperado, enquanto o EBITDA ajustado de US$1,25 bilhão também ficou abaixo dos US$1,28 bilhão do consenso. Mesmo com receita acima do previsto, os indicadores de lucratividade ficaram abaixo, sinalizando que a pressão de custos está corroendo as margens de lucro.

Segundo, o efeito “sangramento” contínuo do segmento eólico. A deterioração nesta divisão deixou de ser apenas um “ruído de curto prazo” e tornou-se um “peso estrutural”. Com prejuízos de US$382 milhões no primeiro trimestre, US$275 milhões no segundo — caso persista, as perdas em energia eólica podem beirar a casa de US$1 bilhão ao ano.

Terceiro, incerteza futura das tarifas. Embora o custo extra de US$100 a 200 milhões não seja alto em valor absoluto, no contexto do aumento das tensões comerciais globais, o mercado teme que esse número seja apenas o começo.

Quarto, valuation alto deixa pouco espaço para erro. Antes do balanço, as ações da GE Vernova já acumulavam alta de 62% no ano e 100% nos últimos 12 meses. O P/L projetado está em torno de 30x, o que é elevado para uma empresa vista como de utilidade pública. Com este cenário, qualquer “miss” pode ser amplificado pelo mercado.

Perspectivas: atenção ao bônus estrutural da demanda de energia da IA e a múltiplos fatores de risco

A GE Vernova está em uma encruzilhada em que crescimento estrutural e ventos contrários também são estruturais. Do lado do crescimento, a explosão da demanda de energia impulsionada por data centers de IA é uma tendência de longo prazo inegável. O setor de eletrificação já soma mais de US$5 bilhões em pedidos de data centers, e contratos de turbinas a gás projetados para 125 GW — números que refletem uma onda de investimentos reais e irreversíveis em infraestrutura energética.

Pelo lado negativo, o prejuízo persistente da energia eólica, a incerteza dos custos com tarifas e a desconexão entre os indicadores de lucratividade e o forte crescimento de receita compõem a tríplice resistência à valorização das ações. A companhia já havia alertado que, em 2025 e 2026, o segmento eólico deve registrar prejuízos de cerca de US$400 milhões a cada ano, e o cenário real pode ser mais grave.

Ainda assim, Wall Street segue bastante positiva com a GE Vernova. Dados apontam que os 30 analistas que cobrem o papel recomendam “compra”, sem qualquer indicação de “venda”, e o preço-alvo consensual é de cerca de US$1.221,48. A análise de sentimento das conference calls pelo TipRanks também indica tom “positivo”— o expressivo crescimento de pedidos, expansão do backlog, melhora de margens e revisão do guidance superam com folga as preocupações com prejuízos da divisão eólica e tarifas.

Apesar disso, este balanço de “calor e frio” mostra que o caminho até o preço-alvo não será fácil. O mercado precisa não apenas da narrativa grandiosa da demanda de energia impulsionada por IA, mas de um roteiro claro para reversão do prejuízo na divisão eólica e proteção eficaz contra os ventos contrários das tarifas — e isso depende de sinais mais claros da empresa.

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