Societe Generale: Fervor pela IA aumenta volatilidade de ações individuais, mas risco geral do mercado é controlável
Jitesh Kumar, estrategista do Société Générale, destacou em um relatório recente que, embora o ciclo de investimentos em inteligência artificial possa continuar aumentando a volatilidade das ações individuais, o ambiente macroeconômico ainda oferece suporte ao mercado de ações.
De acordo com o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Financeiro em Português, o estrategista do Société Générale, Jitesh Kumar, destacou em um relatório publicado em 17 de julho que, embora o ciclo de investimentos em inteligência artificial possa continuar aumentando a volatilidade de ações individuais, o ambiente macroeconômico ainda oferece suporte ao mercado acionário.
O banco acredita que o crescimento resiliente da economia, um mercado de trabalho forte e políticas fiscais ativas continuam limitando o risco de queda geral do mercado. Os investidores estão diferenciando cada vez mais entre vencedores e perdedores corporativos, o que tem impulsionado a volatilidade de ações específicas e levado a correlações historicamente baixas entre os papéis.
O relatório recomenda aos investidores que a liderança de mercado pode continuar concentrada em empresas relacionadas à AI, ao invés de em índices amplos. Apesar de riscos técnicos como a atividade em ETF alavancados e posições superlotadas poderem provocar picos ocasionais de volatilidade, o Société Générale prevê que tais movimentos serão temporários, a menos que os fundamentos econômicos se deteriorem substancialmente.
AI remodela o padrão de volatilidade
O Société Générale afirma que, desde 2024, a AI se tornou a principal força motriz da volatilidade nas ações. O investimento em larga escala na infraestrutura de AI não só elevou as expectativas de lucros, mas também aumentou a incerteza sobre os ganhos futuros, criando volatilidade implícita excepcionalmente alta para ações individuais.
O banco observa que a volatilidade das ações tem se dissociado cada vez mais dos tradicionais motores econômicos, enquanto a correlação entre ações atingiu o menor patamar desde a bolha da internet. Segundo o relatório, o balanço divulgado pela Oracle (ORCL.US) em setembro de 2025 marcou um ponto de inflexão—ele convenceu os investidores de que AI representa uma grande onda global de investimentos em infraestrutura, e não apenas uma tendência de software.
Empresas de semicondutores têm sido o núcleo dessa transformação. Desde o início de 2024, o retorno acumulado do setor é de aproximadamente 277%, enquanto a volatilidade implícita de empresas como a Micron Technology (MU.US) disparou, uma vez que os investidores precificam tanto enormes oportunidades de alta quanto incertezas significativas.
O relatório estima que setores ligados à tecnologia atualmente respondem por cerca de 95% da volatilidade do índice S&P 500, ainda que representem apenas aproximadamente 57% de seu peso.
Volatilidade pode perdurar no curto prazo
O Société Générale acredita que, até que o ciclo de investimentos em AI arrefeça, não é provável que a volatilidade retorne aos níveis normais.
O banco estima que, do aumento de cerca de 17,5 pontos percentuais na volatilidade implícita das 50 maiores ações do S&P 500 desde 2016, aproximadamente 62% refletem o aumento natural da volatilidade dos próprios componentes do índice, enquanto uma maior concentração e alterações nos componentes explicam o restante.
O modelo do banco mostra que, assumindo que o ciclo de investimentos em AI esteja caminhando para a maturidade, a volatilidade individual das ações só deve começar a cair no segundo semestre de 2027.
Baixa correlação deve persistir
O relatório também destaca que a atual correlação extraordinariamente baixa entre ações é sustentada por condições macroeconômicas.
Historicamente, a correlação entre ações é negativamente associada às taxas de juros e se movimenta em sincronia com os spreads de crédito. Considerando que as taxas de juros permanecem relativamente restritivas e os spreads de crédito estão em níveis baixos, o banco acredita que, no curto prazo, a correlação deve seguir baixa, mesmo que já esteja abaixo do que os fundamentos sugerem.
Isso abre espaço para picos ocasionais de correlação, mas o Société Générale espera que os investidores aproveitem esses picos para vender, ao invés de interpretá-los como sinais de queda sustentada do mercado.
O banco estima que a alta concentração das big caps no momento reduz a correlação geral do mercado em apenas cerca de 3% a 4% (em comparação a um índice de igual peso), indicando que, embora a concentração contribua, não é o principal fator da queda de correlação.
Riscos técnicos merecem atenção
Apesar de os riscos macroeconômicos parecerem controláveis, o Société Générale aponta que fatores técnicos merecem maior atenção.
Desde maio, o custo de financiamento de posições sintéticas em ações disparou para níveis raros fora do fim de ano. O banco atribui esse aumento sobretudo ao dinheiro de investidores de varejo investido via ETF alavancados e ao maior uso de alavancagem por fundos de hedge em ações de semicondutores, e não a investidores institucionais tradicionais.
O Société Générale prevê que, se as ações de semicondutores perderem força e o ritmo de entrada dos investidores de varejo em ETF alavancados desacelerar, as condições de financiamento devem melhorar durante o verão.
O relatório também aponta que os mercados asiáticos podem fornecer sinais de alerta precoce de risco estrutural potencial. O rápido crescimento dos ETF alavancados, a concentração extrema das bolsas coreana e japonesa, e a disparada na volatilidade das ações ligadas à AI, caso o ciclo da AI persista, podem sugerir que outras regiões podem vivenciar dinâmicas semelhantes.
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