Terceiro artigo sobre vender SpaceX a descoberto! Cinco provas sólidas do estouro da bolha de valorização da empresa!
A SpaceX foi listada há apenas cinco semanas e seu preço de ação já despencou do topo para o fundo.Em 18 de julho, as ações da SpaceX fecharam em queda de 5,43%, chegando a cair 6,9% durante o pregão para US$ 122,12 por ação, com o valor de mercado reduzido para US$ 1,61 trilhão. Em comparação ao pico de US$ 2,64 trilhões alcançado no fechamento do terceiro dia de negociação, em 16 de junho,o valor de mercado já encolheu mais de US$ 1 trilhão.O 13º teste do Starship foi automaticamente abortado no último segundo antes do lançamento devido a uma falha de motor, tornando-se a gota d’água que derrubou o preço da ação — mas essa está longe de ser a conclusão da história. No dia 9 de julho, já expusemos na primeira análise short de SpaceXQueda das Estrelas: As cinco principais razões para apostar contra a SpaceX!as principais lógicas para operar vendido contra a empresa; e na segunda análise Revisitando o short em SpaceX: o caminho inevitável da normalização dos valuations!mostramos o trajeto de retorno à racionalidade dos valuations, no qual a SpaceX já está inserida.Hoje, reunimos cinco dimensões — valuation, finanças, tecnologia, desbloqueios e competição — para expor sistematicamente, mais uma vez, a tese principal de operar vendido na SpaceX.
1. Bolha de Valuation: 49 vezes o preço/vendas, um castelo no ar
Quando emitida a US$ 135/ação, a relação preço/vendas da SpaceX já ultrapassava 90 vezes; ao atingir a máxima de US$ 225,64, o valuation chegou a 140 vezes. Mesmo após uma forte correção, a relação preço/vendas esperada permanece elevada em 49 vezes. Para comparação, a Tesla tem cerca de 15 vezes e a maioria das big techs apresentam múltiplos ainda menores.
O Financial Times britânico resumiu incisivamente: com valuation de US$ 1,75 trilhão, a SpaceX seria a sétima maior empresa listada dos EUA; mas com receita anual de US$ 19 bilhões, estaria apenas na posição 200, equiparada à produtora dos cereais "Lucky Charms", a General Mills.
Michael Burry, o célebre short seller de Wall Street, afirmou que a SpaceX "não vale nem US$ 1 trilhão". O experiente investidor George Noble, que já trabalhou na Fidelity com Peter Lynch, foi ainda mais direto e afirmou que o valor justo da SpaceX seria cerca de US$ 30 por ação— o que implicaria um potencial de queda de cerca de 75% em relação ao preço atual.
Quando o valuation de uma empresa depende de uma narrativa perfeita por décadas, qualquer vento contrário pode causar uma avalanche.
2. Sangria Financeira: Queimando um unicórnio por trimestre
Os dados financeiros da SpaceX contrastam fortemente com seu valuation.
Em 2025, a receita operacional da SpaceX foi de US$ 18,7 bilhões, com prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões. Entrando em 2026, a situação piorou drasticamente — receita do primeiro trimestre abaixo de US$ 4,7 bilhões, com o crescimento caindo de 33% em 2025 para 15,4%, e prejuízo líquido trimestral de US$ 4,276 bilhões, quase igualando o prejuízo anual de 2025.
O mais chocante é que não houve melhora no segundo trimestre. A SpaceX reportou prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões no segundo trimestre de 2026, com receita de US$ 4,7 bilhões. O prejuízo acumulado no semestre supera US$ 8,5 bilhões, enquanto a receita anualizada mal chega a US$ 19 bilhões — ou seja, para cada dólar ganho, a SpaceX perde mais de US$ 0,45.
O único pilar de lucratividade é o Starlink, cujos lucros estão sendo consumidos pelos gastos dos projetos Starship e pela área de inteligência artificial xAI. Só em 2025, o setor de IA perdeu US$ 6,4 bilhões; o projeto Starship já consumiu mais de US$ 15 bilhões em investimentos. O prospecto de IPO admite que a empresa "tem histórico de prejuízos líquidos e pode não atingir lucratividade no futuro".
O endividamento é ainda mais preocupante. A SpaceX recorre fortemente a financiamentos via dívida para investir em infraestrutura de IA, o que intensifica o receio do mercado sobre sua capacidade de honrar tais dívidas.
Como uma empresa que perde US$ 4,2 bilhões por trimestre e depende de dívidas pode sustentar um valuation de US$ 1,6 trilhão?
3. O mito tecnológico desaparece: vários fracassos do Starship
O Starship é o principal pilar da narrativa de valuation da SpaceX — sem sua capacidade de reutilização, o data center espacial, a colonização de Marte e o lançamento do Starlink V3 não passam de castelos no ar.
No entanto, em 16 de julho, o 13º teste do Starship foi abortado automaticamente no último segundo antes do disparo por “falha no acionamento de alguns motores”. Este foi o primeiro teste do Starship desde a listagem da SpaceX, exatamente no momento em que as ações estavam sob pressão e o nível de short estava em uma máxima rara para IPOs. Musk anunciou que trocará dois motores Raptor e que a próxima tentativa pode ocorrer no início da próxima semana.
E este não é um caso isolado. O 12º lançamento do Starship também passou por pausas na contagem regressiva e cancelamento a poucos segundos da decolagem. Embora analistas da Raymond James admitam que “esses incidentes são parte do caminho agressivo de desenvolvimento do Starship”, a RBC destaca que a frequência de lançamentos reutilizáveis “é vital” e que o processo de mitigação de riscos “não é linear”.
Joe Gilbert, gestor de portfólio da Integrity Asset Management, afirmou: “O timing das falhas de lançamento não é nada ideal para a narrativa da empresa... Investidores estão reduzindo exposição e reavaliando o valuation, enquanto o otimismo do mercado está gradualmente se esvaindo.”
Para uma empresa cujo valuation depende de “avanços tecnológicos futuros”, cada atraso tecnológico consome confiança do mercado.
4. O tsunami dos desbloqueios: choque de oferta iminente
Esse é o catalisador mais direto para uma queda da SpaceX.
Quando a SpaceX abriu o capital, menos de 5% das ações estavam realmente disponíveis para negociação. Sua rápida inclusão no Nasdaq 100 forçou fundos passivos a comprar, criando um breve boom artificial. Agora, o jogo está virando.
Conforme o cronograma de vesting, ações de insiders serão liberadas em lotes — iniciando após a divulgação dos resultados do segundo trimestre e continuando até o fim do ano. No primeiro desbloqueio, funcionários comuns e alguns investidores iniciais poderão vender 911,5 milhões de ações a partir do segundo dia útil após a divulgação do balanço trimestral da empresa. Pelo preço atual, esse bloco é avaliado em cerca de US$ 123 bilhões, volume superior ao total de ações atualmente livres para negociação (≈US$ 86 bilhões).
No total, até 8 de dezembro, o percentual de ações disponíveis para negociação na SpaceX subirá para 40% do capital total. Noble alerta que até o início de setembro, insiders poderão vender até 44% das ações, e o potencial de negociação aumentará cerca de 900%.
Essas ações foram adquiridas a custo baixíssimo, então há uma enorme motivação para realização de lucros. Quando a oferta explode em 9 vezes e a demanda continua a diminuir, a queda do preço torna-se quase inevitável, do ponto de vista matemático.
Os vendidos já estão movimentando. Segundo dados da S3 Partners, atualmente há cerca de 185 milhões de ações da SpaceX vendidas a descoberto, o que representa 29% do total em circulação pública, com US$ 25 bilhões apostados contra a empresa. Três semanas atrás, esta posição representava apenas 5% a 7% do free float. As posições vendidas multiplicaram-se em poucas semanas e os vendidos já lucraram quase US$ 4 bilhões.
Mark Malek, CIO da Siebert Financial, foi categórico: “Muitos investidores já reavaliaram sua tese inicial, e potenciais interessados estão aguardando preços melhores para entrar.”
5. Competição crescente: o fosso competitivo está se estreitando
O valuation da SpaceX pressupõe que manterá o monopólio no setor espacial por muito tempo. Tal suposição, porém, está sendo contestada.
A Blue Origin, de Jeff Bezos, está realizando sua primeira rodada de financiamento externo desde a fundação, buscando captar US$ 10 bilhões a um valuation de US$ 130 bilhões. É a primeira vez, desde 2000, que recebe capital externo. O aporte está sendo liderado pela Coatue Management, com o próprio Bezos investindo US$ 2 bilhões.
A Blue Origin irá operar o TeraWave, serviço de conexão por satélite corporativo, que competirá diretamente com o Starlink da SpaceX. Desde 2008, a SpaceX obteve cerca de US$ 15,7 bilhões em contratos governamentais, contra apenas US$ 2,9 bilhões para a Blue Origin— mas esta diferença está diminuindo. O Pentágono já incluiu Impulse Space e Relativity Federal na lista de concorrentes em lançamentos de segurança nacional.
O fosso competitivo da SpaceX é profundo, mas está longe de ser intransponível. Com competidores avançando a custos de capital mais baixos, a narrativa de valuation elevado enfrentará pressão ainda maior.
Conclusão: É apenas questão de tempo até a bolha estourar
A análise da especialista de mercado Daniela Hathorn é precisa: a queda das ações da SpaceX é resultado da “realização de lucros, reavaliação do valuation e arrefecimento do otimismo extremo do posicionamento anterior”.
SpaceX é uma empresa tecnológica digna de respeito — isso é fato. A engenharia do Starship, a expansão comercial do Starlink e a liderança tecnológica na recuperação de foguetes são admiráveis. Masgrandes conquistas técnicas não se traduzem automaticamente em valuations justos.
Quando uma companhia negocia a 49 vezes preço/vendas, perdeu mais de US$ 8,5 bilhões em seis meses, tem adiamentos recorrentes de seu foguete principal, uma enxurrada de desbloqueios à vista e rivais acelerando investimentos, já há razões abundantes para apostar na queda. Dos 32 analistas, 27 recomendam “compra”— e quanto maior o consenso de mercado, maior o espaço para surpresas.
A lógica dos mercados financeiros nunca mudou:valuations desconectados dos fundamentos inevitavelmente caem por gravidade.
Fazer short na SpaceX não significa negar seus feitos técnicos, mas sim retornar ao bom senso em valuations.
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