Dividendos do preço do alumínio não compensam o excesso de capacidade; resultados do segundo trimestre da Alcoa (AA.US) ficam aquém das expectativas e companhia reduz projeção anual de produção de alumina
A Alcoa dos Estados Unidos reduziu sua projeção de produção de alumina, e esse fator negativo superou o impacto positivo do aumento da receita devido à alta nos preços do alumínio durante o trimestre.
De acordo com o aplicativo financeiro Zhihu Finance APP, a Alcoa (AA.US) divulgou nesta quinta-feira, após o fechamento do mercado dos EUA, os resultados do segundo trimestre de 2026. Os dados mostram que a receita da empresa no segundo trimestre cresceu 31% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 3,97 bilhões — um recorde trimestral —, mas ficou abaixo das expectativas do mercado. O lucro ajustado por ação foi de US$ 2,12, também aquém das projeções, enquanto no mesmo período do ano anterior foi de US$ 0,39.

Devido a problemas operacionais em uma refinaria na Austrália, a Alcoa reduziu sua projeção de produção de óxido de alumínio, o que ofuscou os ganhos de receita trazidos pelo aumento do preço do alumínio no trimestre.
No momento, a empresa espera produzir entre 9,5 e 9,6 milhões de toneladas de óxido de alumínio em 2026 — ante a projeção anterior de 9,7 a 9,9 milhões de toneladas. A companhia também reduziu sua previsão de embarques de óxido de alumínio, mas manteve inalteradas as projeções de produção e embarque de alumínio metálico.
Após a divulgação do relatório, as ações da Alcoa chegaram a cair mais de 7% no after-market, mas posteriormente reduziram as perdas.
A empresa afirmou que o ajuste na projeção de produção se deve à queda de capacidade da refinaria de óxido de alumínio de Pinjarra, na Austrália Ocidental. A refinaria, desde o final de março, vinha apresentando instabilidade na produção, agravada por uma interrupção no fornecimento de gás natural causada pelo ciclone tropical Narelle. Essa refinaria é uma das maiores bases de produção de óxido de alumínio da Alcoa, sendo o óxido de alumínio uma matéria-prima intermediária essencial entre a extração da bauxita e a produção de alumínio metálico.
A revisão para baixo das projeções de produção acabou ofuscando o excelente desempenho do segmento de alumínio da empresa no segundo trimestre. O EBITDA ajustado desse segmento chegou a US$ 1,07 bilhão, superando as expectativas dos analistas, impulsionado principalmente pelo aumento do preço do alumínio e pela reativação de fundições paralisadas.
Nos últimos 12 meses, o preço do alumínio subiu cerca de 20%, principalmente devido a interrupções na oferta no Oriente Médio e à expectativa de que a demanda por alumínio, gerada por redes elétricas, data centers e transição energética, supere o aumento da capacidade de produção. A alta nos preços do alumínio também elevou para um novo recorde a receita trimestral da Alcoa no segundo trimestre.
Há poucas semanas, a Alcoa concordou em adquirir os negócios de óxido de alumínio, alumínio e bauxita da South32 por até US$ 5,6 bilhões, apostando que a demanda por esse metal leve continuará crescendo.
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