- O registro MSBT da Morgan Stanley sinaliza uma mudança mais acentuada na posição do Bitcoin em Wall Street.
- Os 16.000 consultores do banco podem ampliar o acesso ao Bitcoin em carteiras de clientes abastados.
- A iniciativa transfere a Morgan Stanley do acesso a fundos para a emissão direta de produtos de Bitcoin.
Segundo uma listagem pendente compartilhada pelo analista da Bloomberg Intelligence, Eric Balchunas, a Morgan Stanley está próxima de lançar seu próprio ETF spot de Bitcoin. A medida colocaria o nome do banco diretamente em um produto de Bitcoin, após anos de cautela em relação ao cripto. O ETF reportado, registrado sob o ticker MSBT, chegaria ao mercado enquanto ETFs spot de Bitcoin já detêm cerca de US$ 83 bilhões em ativos. A Morgan Stanley não respondeu imediatamente ao pedido de comentário, com base no texto fornecido.
O próprio ETF de Bitcoin da Morgan Stanley mudará a forma como consultores financeiros lidam com a exposição ao Bitcoin?
Há alguns anos, essa mudança parecia improvável. O ex-executivo da Morgan Stanley, James Gorman, disse em 2024 que nunca entendeu o valor do Bitcoin. Agora, o banco parece pronto para migrar da distribuição restrita de fundos terceirizados para a emissão de seu próprio produto.
Da Cautela à Emissão de Produtos
Quando BlackRock e outros 11 emissores lançaram ETFs spot de Bitcoin em janeiro de 2024, a Morgan Stanley adotou uma abordagem restrita. Permitiu que alguns consultores oferecessem ETFs spot de Bitcoin terceirizados exclusivamente para clientes abastados selecionados.
Agora, o banco parece pronto para colocar sua própria marca em um fundo de Bitcoin. Esse passo daria aos seus consultores um produto proprietário em vez de encaminhar clientes para emissores concorrentes.
A mudança também acompanha um avanço mais amplo do cripto dentro do banco. Em janeiro, o CEO Ted Pick afirmou que a Morgan Stanley estava trabalhando com o Departamento do Tesouro dos EUA e outros reguladores para lançar produtos em cripto.
Em fevereiro, o banco também se juntou a outras empresas na busca por licença bancária para custódia de criptomoedas. Esse registro indicou um envolvimento mais profundo em serviços de ativos digitais além do acesso de corretagem.
O ETF marcará uma progressão clara na estratégia cripto da Morgan Stanley. Primeiro, o banco permitiu acesso a ETFs spot de Bitcoin. Em seguida, ampliou esse acesso em sua plataforma. Agora, parece pronto para emitir seu próprio fundo.
Essa transição posicionaria a Morgan Stanley ainda mais na competição pelos fluxos de investimento em criptomoedas. Gestores de ativos já presentes no mercado capturaram fortes entradas desde o lançamento dos ETFs spot de Bitcoin no início de 2024.
Rede de Consultores Pode Moldar a Demanda
O principal diferencial da Morgan Stanley é sua base de consultores. O banco possui cerca de 16.000 consultores financeiros supervisionando mais de US$ 6,2 trilhões em ativos de clientes nos Estados Unidos.
Eric Balchunas descreveu o avanço como notável não apenas pelo fato de um banco lançar um ETF de Bitcoin, mas por ser um “grande banco” com a maior rede de consultores. Ele afirmou que a base de ativos é maior do que as unidades combinadas de patrimônio do Merrill Lynch, Goldman Sachs e JPMorgan.
Essa escala é significativa porque muitos investidores abastados dependem de consultores para montar suas carteiras. Enquanto compradores de varejo podem adquirir diretamente o IBIT da BlackRock, consultores ainda atuam como intermediários para muitos clientes de gestão de patrimônio.
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John Haar, chefe de serviços privados na Swan Bitcoin, disse que a Morgan Stanley não lançaria seu próprio ETF de Bitcoin a menos que acreditasse que o Bitcoin permaneceria parte das alocações dos clientes. Seu comentário aponta expectativas de demanda duradoura nos negócios de gestão de patrimônio do banco.
Ainda assim, a adoção liderada por consultores não está totalmente desenvolvida. Amy Oldenburg, chefe de estratégia de ativos digitais na Morgan Stanley, afirmou que consultores ainda estão avaliando como cripto se encaixa na construção das carteiras.
Cerca de 80% das negociações de ETFs na plataforma da Morgan Stanley vêm de contas autodirecionadas, e não de carteiras geridas por consultores, conforme o texto informado. Essa divisão sugere que existe demanda por parte dos investidores, mas a integração total aos modelos tradicionais de consultoria permanece incompleta.
Como resultado, o ETF da Morgan Stanley entraria em um mercado com fluxos intensos, porém adoção desigual por consultores. Ainda assim, a mudança do banco de acesso à plataforma para emissão de produto pode alterar a maneira como produtos de Bitcoin chegam aos clientes de patrimônio convencional.


