Desenvolvimento lento da IA e disparada dos preços do petróleo afetam primeiro as ações de chips do Japão e da Coreia do Sul, SK Hynix cai mais de 5% e SoftBank despenca 11%
Gigantes de IA se uniram raramente para pedir a desaceleração do desenvolvimento de modelos de ponta. Os mercados de ações da Coreia do Sul e do Japão recuaram, com o índice composto de Seul caindo mais de 3% e o Nikkei 225 caindo mais de 2%. A SoftBank despencou 11% em um único dia e a SK Hynix caiu mais de 5%. Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita fechou oleodutos, impulsionando o preço do Brent para US$ 107, enquanto o CPI dos EUA superou as expectativas, aumentando a probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve na quarta-feira para mais de 90%. Com esses dois fatores negativos em conjunto, o mercado asiático teve um início turbulento.
Gigantes da IA unem forças para pedir desaceleração no desenvolvimento de modelos de ponta, enquanto o aumento nos preços do petróleo reacende preocupações com a inflação, pressionando as bolsas asiáticas a abrirem em baixa nesta segunda-feira.
O índice composto de Seul, na Coreia do Sul, caiu mais de 3%, SK Hynix recuou mais de 5%, e Samsung Electronics caiu mais de 3%. As ações de chips da Coreia e Japão, consideradas as “pás e picaretas” da febre de IA, sentiram o impacto principal.

O índice Nikkei 225 abriu em baixa de 0,6% e depois aprofundou as perdas para 2%, enquanto as ações da SoftBank desabaram 11%.

Ao mesmo tempo, o Brent subiu mais de 3% para US$ 107,99 o barril, após a Arábia Saudita fechar um oleoduto chave, e o adiamento de uma reunião entre Omã, Irã e outros países aqueceu repentinamente o mercado de energia, intensificando ainda mais as preocupações do mercado com as perspectivas de inflação.

O futuro do índice Nasdaq 100 caiu mais de 1% e o futuro do índice S&P 500 recuou 0,6%. Esta semana, o mercado enfrenta vários testes: o Federal Reserve divulgará sua decisão de taxa de juros na quarta-feira, com o mercado de swaps precificando atualmente uma probabilidade de alta superior a 90%; tanto o Banco da Inglaterra quanto o Banco do Japão também anunciarão decisões de política sequencialmente — as decisões dos três principais bancos centrais podem remodelar o cenário da política monetária global para o restante de 2026 e possivelmente para o longo prazo.
Gigantes da IA unem forças e pressionam ações de chips
No sábado, Dario Amodei, CEO da Anthropic, disse que a empresa introduzirá medidas adicionais de segurança, como avaliações independentes de terceiros, e fez um apelo ao setor para desacelerar de forma voluntária o desenvolvimento dos modelos mais avançados. Sam Altman, CEO da OpenAI, apoiou publicamente a iniciativa, e Elon Musk, da xAI, também se manifestou afirmando que “Dario está certo”.
Esse raro consenso das três principais instituições de IA gerou dúvidas no mercado sobre o setor central que impulsionou a alta das bolsas neste ano. Nick Twidale, analista-chefe de mercado da AT Global Markets em Sydney, afirmou: "Esperamos uma abertura turbulenta nesta semana, à medida que os investidores avaliam o impacto de mudanças estratégicas significativas nas principais empresas de IA sobre as avaliações de mercado. Grandes empresas asiáticas de tecnologia, que fornecem suporte para a cadeia de suprimentos dessas gigantes da IA, devem ser as primeiras a sentir o impacto."
No entanto, alguns participantes do mercado acreditam que esse impacto será mais emocional do que fundamental. Kerry Craig, estrategista global de mercados da JPMorgan Asset Management, disse: "Antes que a necessidade de desacelerar o desenvolvimento realmente se traduza em reduções de guidances de gastos de capital ou adiamentos no lançamento de modelos, isso provavelmente será mais um fator de sentimento do que de avaliação ou lucros."
No cenário corporativo, fontes informam que a Anthropic já escolheu a Nasdaq como local para seu potencial IPO recorde. Sam Altman disse que a OpenAI não planeja lançar um IPO este ano, pois a empresa está focada em lidar com questões relacionadas à segurança da IA.
Disparo no preço do petróleo reacende preocupações inflacionárias e aumenta apostas de alta de juros pelo Federal Reserve
A reviravolta repentina no mercado de energia trouxe mais pressão para o mercado. A Arábia Saudita fechou um importante oleoduto após ataque de drones, e a reunião planejada entre Irã e países do Golfo foi adiada. O Brent subiu 2,8% para US$ 107,55, e o petróleo leve dos EUA (WTI) ganhou 2,5%, a US$ 102,51, trazendo o preço do petróleo de volta acima dos US$ 100.
O salto no preço do petróleo acontece ao mesmo tempo que os dados de inflação divulgados nos EUA na última sexta. Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, o núcleo do CPI (excluindo alimentos e energia) subiu 0,3% em agosto, na comparação mensal, e 2,4% anualizado; já o CPI geral avançou 0,4% no mês e 3,4% em 12 meses, ambos acima das expectativas.
Os dados de inflação impulsionaram os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, com o yield de dois anos subindo 4 pontos-base na sexta e o yield do título de dez anos se aproximando do nível crítico de 5%, negociado atualmente a 4,95%. O mercado de swaps precifica uma probabilidade acima de 90% de o Fed aumentar as taxas na quarta-feira.
Martin Whetton, chefe de estratégia de mercados financeiros do Westpac Banking Corp, disse: "As expectativas de alta de juros na reunião do FOMC de setembro já estão precificadas em 90%. Após a divulgação do CPI na sexta, os rendimentos dos Treasuries subiram amplamente, e o mercado asiático de renda fixa seguirá reagindo a isso hoje."
Analistas apontam que o preço do petróleo acima de US$ 100 aliado ao aumento das tensões no Oriente Médio dificulta a redução da pressão inflacionária global, tornando o alívio esperado pelos formuladores de políticas cada vez mais improvável — o que prolonga o ambiente de custos de empréstimo elevados.
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