Após o tom “hawkish” de Walsh, o mercado foca em aumentos de juros; Morgan Stanley: mais provável redução do balanço
Após a reunião de Jackson Hole, o mercado voltou sua atenção para as expectativas de aumento das taxas de juros, mas a economista do Morgan Stanley, Carpenter, ressaltou que a persistente defesa de Walsh pela redução do balanço patrimonial de 7 trilhões de dólares também não deve ser ignorada. Prevê-se que o Fed possa iniciar, no próximo ano, uma redução do balanço superior a 1.5 trilhões de dólares, substituindo parcialmente os aumentos de juros.
Waller reiterou nas montanhas do Wyoming o compromisso do Federal Reserve em reduzir a inflação para 2%, e o mercado imediatamente incorporou mais expectativas de aumento das taxas de juros nos preços. No entanto, Seth Carpenter, economista-chefe global do Morgan Stanley, apontou em seu último relatório que essa reação pode ter ignorado uma variável-chave—o quantitative tightening (QT).
Carpenter escreveu que, em julho, Waller ainda não tinha uma posição clara sobre altas de juros, apenas dizendo que as taxas “podem ser parte da solução”. Já em Jackson Hole, ele deixou sua posição explícita: a taxa de juros é a “ferramenta principal” e outras ferramentas devem ser “usadas o mínimo possível, ou nem usadas”.
Mas isso não significa que o QT será deixado de lado.
Lógica de Waller: o balanço patrimonial é a raiz da inflação
Antes de se tornar presidente do Federal Reserve, Waller chegou a comentar em entrevista ao Hoover Institution sobre o uso mais direto dessas duas ferramentas de política monetária.
Segundo Carpenter, Waller deixa claro que o balanço patrimonial de 7 trilhões de dólares é justamente a principal razão para a inflação estar acima da meta. Em Jackson Hole, ele colocou o “dinheiro” como um dos princípios centrais da política monetária e disse ainda: se o “dinheiro” criado pelo balanço patrimonial for retirado, as taxas de juros podem ser mantidas em níveis mais baixos.
A lógica é direta: QT → aperto monetário → queda da inflação → menos pressão por alta de juros.
Divisões internas se intensificam no FOMC e a pressão para alta de juros é real
A previsão de base do Morgan Stanley era de que não haveria aumento de juros este ano, desde que a inflação recuasse suavemente, fazendo com que o FOMC desistisse da opção de elevar as taxas.
Mas Carpenter destaca que o FOMC decide por voto e que já há três votos divergentes favoráveis a aumento dos juros. Caso os dados de inflação do verão não mostrem claramente uma desaceleração, a alta das taxas vai ocorrer.
“Waller não vai querer ficar do lado perdedor da votação,” escreveu Carpenter.
Isso significa que, mesmo que Waller prefira usar o QT ao invés de aumentar as taxas, se a maioria do comitê optar pela alta dos juros, ele também seguirá essa direção.

Previsão do Morgan Stanley: QT pode superar 1,5 trilhão de dólares no próximo ano
Carpenter afirma que realmente vê o início do QT próximo. Em um relatório recente do Morgan Stanley (“Global Economics & Fixed Income Strategy: Federal Reserve Balance Sheet Reform: More QT, Less Tightening”), ele prevê que o Federal Reserve pode iniciar um programa de QT de 1,5 trilhão de dólares ou mais já no ano que vem.
Carpenter admite ao mesmo tempo que sua visão sobre como o QT se transmite para a economia e afeta a inflação é claramente diferente da de Waller. Mas, independentemente do canal de transmissão, para o mercado o resultado é o mesmo:
Ao precificar a política monetária, os investidores precisam considerar tanto as taxas de juros como o balanço patrimonial, o que adiciona incertezas e controvérsias extras.
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