Mizuho prevê que o Banco do Japão pode acelerar o aumento das taxas de juros: abraçando ativos de proteção contra a inflação, o rendimento dos títulos de longo prazo ficará sob pressão
O Grupo Financeiro Mizuho prevê que, diante da desvalorização do iene e do aumento da inflação, que estão impulsionando o Banco Central do Japão a agir mais rapidamente, o banco acelerará o ritmo de aumento das taxas de juros.
Segundo informações obtidas pelo aplicativo financeiro Zhitong Finance, o Grupo Financeiro Mizuho prevê que, diante do enfraquecimento do iene e do aumento da inflação que pressiona o Banco Central do Japão a agir mais rapidamente, o banco central japonês deverá acelerar o ritmo de alta dos juros, sendo possível que o próximo aumento ocorra já no próximo mês.
Kenya Koshimizu, codiretor do departamento de mercados globais responsável pela gestão da carteira de investimentos em títulos no valor de 41 trilhões de ienes (equivalente a 257 bilhões de dólares) deste banco, também prevê que, após os rendimentos dos títulos de 10 anos do governo japonês atingirem o maior patamar em 30 anos nesta semana, as taxas de juros de longo prazo continuarão subindo.
Koshimizu afirmou que, para o terceiro maior banco do Japão, o resultado é que, exceto títulos indexados à inflação (títulos protegidos contra a inflação) e títulos com vencimento inferior a um ano, o banco continuará evitando a compra de títulos do governo japonês. Em entrevista em Tóquio, ele declarou: “Limitamos o risco de taxa de juros que assumimos, por isso a duração da nossa carteira é muito curta.”
Seus comentários destacam que, com a elevação das taxas de juros e a persistência da inflação, muitas (embora não todas) instituições financeiras japonesas continuam cautelosas quanto a retomar a participação no mercado de títulos do governo japonês.
Koshimizu apontou que a possibilidade de aumento dos juros em setembro é “bastante alta”, e o Banco Central do Japão pode reduzir o intervalo entre as ações de política, atualmente em cerca de seis meses, para a cada três meses.
Ele declarou: “Uma vez que o Banco Central do Japão adote um ritmo de cada três meses, será muito difícil desacelerar novamente.” Ele acrescentou que, descontando-se o impacto da inflação atualmente em cerca de 1,6%, a taxa de juros de política, atualmente em 1%, ainda está “profundamente em território negativo”.
Com as pressões persistentes sobre o iene e os preços ao consumidor, traders e economistas estão atentos para saber se o Banco Central do Japão intensificará o ritmo de alta dos juros. Um ex-funcionário do governo chegou a sugerir que as taxas fossem elevadas em todas as reuniões de política. Apesar da intervenção conjunta Estados Unidos-Japão no mês passado (a primeira ação coordenada para fortalecer o iene desde 1998), a moeda japonesa voltou a perder valor.
Koshimizu destacou: “A intervenção conjunta teve grande significado”, refletindo que ambos os lados concordam que uma maior desvalorização do iene é indesejável. “Além disso, o enfraquecimento do iene se deve, em parte, à política monetária acomodatícia do Japão.”

A carteira de investimentos em títulos da Mizuho alcança 41 trilhões de ienes
Segundo fontes, o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi apoia um aumento dos juros em breve, e a próxima movimentação pode acontecer em setembro ou outubro. Koshimizu afirmou não descartar a possibilidade de duas altas ainda este ano, o que levaria a taxa de juros para 1,5%.
De acordo com dados de mercado de swaps de índices overnight de terça-feira, traders estimam em 78% a probabilidade de o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Japão aumentar as taxas em 18 de setembro.
Koshimizu afirmou ser difícil prever a taxa terminal do Banco Central do Japão, pois isto dependerá do desenvolvimento econômico japonês. Ele acrescentou que, devido ao aumento da produtividade gerado pelo boom dos investimentos em equipamentos, o próprio banco central pode revisar para cima a estimativa da taxa neutra, atualmente entre 1% e 2,5%.
Koshimizu afirmou que a Mizuho mantém uma postura “conservadora” em relação ao investimento em títulos do governo japonês, pois, considerando a taxa de crescimento nominal da economia do Japão em cerca de 4%, o rendimento da referência de 10 anos, atualmente em torno de 2,9%, ainda está abaixo do ideal.
Até o final de junho, o banco detinha cerca de 20,6 trilhões de ienes em títulos do governo japonês, mas a maioria composta por títulos de curto prazo com vencimento inferior a um ano. Em junho, o prazo médio de vencimento dos títulos do governo japonês mantidos pela Mizuho era inferior a um ano.
Koshimizu destacou: “Diante das mudanças estruturais globais e do boom dos investimentos, o risco inflacionário permanece tendendo para cima. Portanto, planejamos investir ativamente em títulos indexados à inflação.”
Muitos no mercado atribuem a fraqueza dos títulos do governo japonês à política fiscal de Takaichi, incluindo a decisão de reduzir o imposto sobre consumo de alimentos por dois anos. Mas Koshimizu não espera que ocorra uma liquidação drástica semelhante à observada quando a ex-primeira-ministra britânica Liz Truss anunciou cortes de impostos sem cobertura financeira.
Koshimizu afirmou: “Assim que as taxas retornarem a níveis mais condizentes com o crescimento nominal, haverá uma demanda potencial significativa por títulos do governo japonês.” Ele acrescentou que grandes bancos japoneses, investidores estrangeiros e até mesmo famílias podem se tornar compradores interessados desses papéis.
Koshimizu está otimista quanto às perspectivas de crescimento do Japão e disse que a economia japonesa está passando por uma transformação não vista há décadas, o que impulsiona a atividade empresarial e a demanda por empréstimos. Por isso, ele afirma que as ações japonesas são “ativos muito atraentes”, e o banco está investindo em fundos de índice.
Ele disse: “As mudanças estruturais globais deverão impactar positivamente a economia japonesa. No entanto, períodos como esse tendem a trazer uma maior volatilidade aos mercados financeiros.”
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