Vendas fortes de medicamentos inovadores compensam impacto de genéricos! Resultados do segundo trimestre da Novartis (NVS.US) superam expectativas, sinalizando retorno à trajetória de crescimento
A Novartis divulgou resultados do segundo trimestre melhores do que o esperado pelo mercado. O forte desempenho de novos medicamentos oncológicos compensou o impacto sofrido pelo medicamento cardiovascular de destaque, Entresto, devido à concorrência dos genéricos, sinalizando que a empresa está voltando à trajetória de crescimento.
De acordo com o APP da Inteligência Financeira, a Novartis (NVS.US) divulgou resultados do segundo trimestre acima das expectativas do mercado. O forte desempenho dos novos medicamentos oncológicos compensou o impacto dos genéricos sobre o blockbuster cardiovascular Entresto, sinalizando que a empresa está de volta à trajetória de crescimento.
O relatório financeiro mostra que as vendas da Novartis no segundo trimestre cresceram 3% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 14,408 bilhões, superando a média das expectativas dos analistas de US$ 14,042 bilhões; o lucro operacional principal foi de US$ 5,94 bilhões, também acima da estimativa média de US$ 5,34 bilhões; o lucro básico por ação foi de US$ 2,41, igualmente superior à média das previsões de US$ 2,13.

O crescimento das vendas foi impulsionado principalmente por uma série de medicamentos inovadores. Entre eles, o inibidor de CDK4/6 Kisqali teve um aumento de vendas de 44% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 1,695 bilhão; o produto de destaque Kesimpta, uma terapia de células B, cresceu 32% nas vendas, totalizando US$ 1,424 bilhão; o inibidor STAMP Scemblix (utilizado no tratamento da leucemia mieloide crônica) teve alta de 89% nas vendas, chegando a US$ 562 milhões; o medicamento radiofármaco Pluvicto – uma terapia de ligante radioativo direcionada (RDC), para tratamento de certos tipos de câncer de próstata – obteve crescimento de 43% nas vendas, alcançando US$ 651 milhões; o Leqvio, primeiro medicamento mundial de RNA de interferência pequena para redução do LDL colesterol, teve aumento de 61% nas vendas, chegando a US$ 480 milhões; já o Rhapsido, um novo medicamento oral para doenças crônicas de pele e uma das apostas de crescimento futuro, registrou vendas de US$ 64 milhões, superando as expectativas do mercado.
Entretanto, os principais produtos enfrentando concorrência de genéricos – Entresto, Tasigna (medicamento para leucemia mieloide crônica) e Promacta (tratamento para trombocitopenia) – tiveram quedas nas vendas anuais de 50%, 57% e 64%, respectivamente, no segundo trimestre.


A estratégia do CEO da Novartis, Vas Narasimhan, de focar no desenvolvimento de medicamentos inovadores enfrenta uma prova importante este ano. Com antigos blockbusters, como o Entresto para doenças cardíacas, sofrendo queda nas vendas devido à concorrência dos genéricos e novos medicamentos ainda não assumindo totalmente o impulso de crescimento, a empresa passa por pressões típicas do "patent cliff". Contudo, alguns analistas acreditam que o último trimestre pode ter sido o período mais grave do impacto do fim de patentes para a Novartis.
Além dos medicamentos inovadores mencionados, outros novos produtos continuam em fase de ensaios clínicos. A Novartis espera divulgar resultados de importantes testes clínicos de terapias experimentais, abrangendo áreas como doenças cardíacas e esclerose múltipla. Entre esses, está o Del-desiran, primeiro medicamento para doenças musculares, que atua sobre a base genética dessas enfermidades, proveniente da aquisição da linha de produtos da Avidity Biosciences por US$ 12 bilhões.
Para impulsionar o crescimento, Narasimhan anunciou, no último ano, aquisições que somam mais de US$ 15 bilhões. Entre elas estão a compra da Avidity e sua linha de pesquisa em RNA, a Tourmaline Bio, dedicada ao desenvolvimento de terapias anti-inflamatórias cardíacas, e a Synnovation Therapeutics, que desenvolve medicamentos experimentais direcionados a oncoproteínas. Recentemente, a Novartis também concordou em adquirir a Myricx Bio, em uma aposta muito inicial no campo oncológico, cujos medicamentos candidatos acabam de entrar em testes clínicos.
A Novartis também prometeu construir sete novas plantas de produção nos Estados Unidos, como parte de seu plano de expansão local de US$ 23 bilhões, visando aumentar a capacidade fabril e mitigar impactos tarifários do setor. A maior parte dos investimentos será direcionada à terapia de ligantes radioativos (RLT). Esta terapia utiliza medicamentos direcionados para transportar material radioativo diretamente até tumores. Atualmente, a Novartis é a única empresa no mundo com dois medicamentos aprovados de ligantes radioativos – Pluvicto e Lutathera.
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