O preço do ouro testa 4000 pela quarta semana! Alívio na inflação não resiste à alta do petróleo, tendência de consolidação continua
Nesta segunda-feira (20 de julho) durante o pregão asiático, apesar do arrefecimento sazonal da inflação global, o ouro internacional manteve a tendência de queda da semana passada, com o ouro à vista oscilando próximo ao suporte chave de US$ 4000, fechando em US$ 4016,36 por onça, acumulando uma queda semanal de 2,49%. O principal motor para essa fraqueza veio do Oriente Médio: tensões geopolíticas agitaram o mercado de energia, o aumento do preço do petróleo reacendeu preocupações inflacionárias, somados ao fortalecimento simultâneo do dólar e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, o custo de oportunidade do ouro sem rendimento foi recalculado, aumentando a pressão de queda no curto prazo. Embora o suporte dos 4000 tenha sido mantido temporariamente, o cenário ainda é de "notícias negativas persistentes e um rebound sem fundamento", formando uma batalha prolongada.
[Análise Fundamentalista]
Nessa queda, os benefícios do arrefecimento da inflação foram anulados pelo preço do petróleo. Embora o CPI de junho tenha desacelerado e o mercado tenha dado um suspiro de alívio, novas tensões no Oriente Médio e o Brent acima de 80 rapidamente reacenderam riscos inflacionários no setor de energia — os analistas de mercado chegaram a um consenso sobre a natureza "temporária" desse alívio.
Chris Gaffney, da EverBank, pontua claramente: nas últimas quatro semanas o preço do ouro testou o nível dos 4000 quatro vezes, sem rompê-lo, pois esse é o limite psicológico dos investidores de varejo; se esse marco for rompido de forma significativa, uma correção mais profunda no curto prazo será inevitável. O indicador principal continua sendo a inflação nos EUA — caso o preço do petróleo não dispare, os índices de inflação devem continuar melhorando, reduzindo as apostas em aumentos de juros por parte do Fed, o que pode aliviar a pressão sobre o ouro. Waleed Said, da GIF Trade, aponta outras três pressões: aumento dos rendimentos dos Treasuries, fortalecimento do dólar e redução das expectativas de cortes de juros. Ele avalia que o risco de queda no curto prazo persiste, mas os fundamentos para alta no longo prazo permanecem intactos, enxergando essa fase como uma correção dentro de um ciclo de alta, e não uma reversão, já que o mercado ainda não precificou totalmente o "choque inflacionário de longo prazo" e o "aperto adicional do Fed".
Neil Welsh, da Britannia Global, faz uma ligação mais direta entre o preço do ouro e o petróleo: o aumento contínuo da energia → pressão inflacionária → Fed mantém juros altos, formando um ciclo que sustenta o impulso de queda do ouro. Para romper esse ciclo, seriam necessários dois sinais: ou dados macroeconômicos dos EUA consideravelmente fracos para contrabalançar expectativas de aperto, ou pronunciamentos claros dos principais bancos centrais globais indicando o fim do ciclo de alta de juros. Lukman Otunuga apresenta o dado de que a precificação para alta de juros em setembro já está em 56%, tornando o ouro, que não gera rendimento, menos atraente frente a ativos de alto rendimento. O nível dos 4000 é decisivo — se rompido, os próximos alvos são 3950 e 3900; se mantido, os 4100 voltam ao radar dos compradores.
No longo prazo, Simon-Peter Massabni, da XS, mantém-se otimista: a maioria dos fatores negativos já foi precificada, então mesmo que os 4000 sejam perdidos, o espaço para queda é limitado. A lógica: compras contínuas de ouro por bancos centrais + incerteza geopolítica + demanda de hedge para riscos de crédito soberano, sendo esses três fatores estruturalmente positivos. Portanto, essa não é uma reversão de alta, e sim uma fase de acumulação. Segundo ele, a "faixa estratégica de suporte" está entre 3950-3940, sendo essa a zona de realocação de posições compradas assim que o mercado perceber que o impacto negativo geopolítico sobre o crescimento econômico superará o efeito inflacionário. Mesmo que os 4000 sejam mantidos no curto prazo, é necessário aguardar uma confirmação dos bancos centrais de que "mesmo com inflação alta, os juros não subirão mais" — junto de arrefecimento da inflação energética e desaceleração econômica nos EUA, só assim as apostas em cortes de juros retornam e os fundamentos sustentam o ouro. Tecnicamente, o mercado está em fase de acumulação, e o potencial de alta permanece para frente.
A agenda econômica da semana é leve, com o comportamento do mercado guiado por notícias geopolíticas — por ora, sem sinal de alívio das tensões entre Irã e EUA. No macro, o foco está em dois pontos: decisão do Banco Central Europeu na quinta-feira às 20h15 (expectativa de manutenção dos juros e nenhuma orientação para setembro) + pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA; na sexta-feira, os PMIs preliminares S&P Global e vendas de casas novas. Qualquer movimento nesses indicadores pode alterar as expectativas de política monetária na Europa e EUA, e o ouro irá acompanhar esta direção no curto prazo.
[Análise Técnica Atual de Ouro]
Com a escalada das tensões entre EUA e Irã no fim de semana, o ouro abriu em forte baixa nesta segunda-feira, acentuando a fraqueza de curto prazo e iniciando uma nova rodada de testes de fundo, permanecendo em uma fase de consolidação e oscilação. Recomenda-se uma postura cautelosa e paciente, aguardando a formação clara de um fundo antes de tomar novas decisões.
No gráfico horário, o ouro continua oscilando em faixa, sem que as tensões geopolíticas entre EUA e Irã ofereçam espaço para uma recuperação consistente dos compradores. No curto prazo, atenção ao suporte de 3940; caso esse nível seja perdido, o ouro provavelmente continuará caindo, dificultando a defesa do suporte chave em 3900; a resistência de curto prazo está em 4100, com alta probabilidade do mercado oscilar e consolidar entre essas faixas no curto prazo.
O mercado costuma apresentar esse padrão: o ciclo de consolidação em fundo é longo, enquanto as altas abruptas são rápidas. Depois de testar o topo e recuar, é difícil retomar a alta de imediato, sendo necessário consolidar o fundo em múltiplas rodadas. Sem catalisadores importantes, dificilmente veremos uma recuperação em “V” e uma reversão expressiva — melhor conceder tempo ao mercado, aguardando com paciência a construção de um fundo sólido para o ouro.
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