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O “novo conto de terror” do armazenamento: os EUA vão confiscar dinheiro?

O “novo conto de terror” do armazenamento: os EUA vão confiscar dinheiro?

华尔街见闻华尔街见闻2026/07/18 03:21
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Por:华尔街见闻

O vice-representante comercial dos EUA, Rick Switzer, defendeu claramente que, devido às compras em massa das empresas americanas, os lucros da Samsung e da SK Hynix aumentaram e, por isso, os EUA têm o direito de compartilhar esses lucros. Segundo a China Securities, ao citar os exemplos históricos dos semicondutores japoneses e dos painéis de Taiwan, fica o alerta: uma vez que os altos lucros das empresas estrangeiras sejam redefinidos pelos EUA, a intervenção política geralmente se segue. É importante prestar atenção a dois sinais: se os gigantes da tecnologia americana passam de garantir o fornecimento para se opor publicamente ao aumento dos preços, e se Washington irá usar justificativas como "monopólio" ou "manipulação de preços" para intervir.

As exigências dos Estados Unidos para o setor de semicondutores da Coreia do Sul estão passando de "construir fábricas" para "dividir os lucros".

Segundo informações do Jornal Coreano divulgadas na sexta-feira, citando fontes conhecedoras do assunto, Rick Switzer, vice-representante do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, afirmou explicitamente durante uma reunião no mês passado com o ministro de Comércio da Coreia do Sul, Yoo Han-koo, que os EUA têm o direito de compartilhar os enormes lucros da SK hynix e da Samsung Electronics, sob a justificativa de que as grandes compras realizadas por empresas americanas impulsionaram diretamente o aumento dos lucros das empresas de chips sul-coreanas. Embora essa declaração ainda não tenha sido oficialmente confirmada pelo lado americano, já gerou ampla atenção tanto na indústria quanto no governo da Coreia do Sul.

O pano de fundo desse movimento é que, no primeiro semestre deste ano, as exportações de semicondutores da Coreia do Sul para os EUA cresceram mais de 90% em comparação ao ano anterior, e as empresas sul-coreanas de memória continuam conquistando altos lucros na cadeia global de IA.

Segundo relatório de pesquisa do CITIC Securities, experiências históricas mostram que quando empresas estrangeiras obtêm participação significativa ou lucros elevados em setores estratégicos, isso frequentemente leva à intervenção política do governo dos EUA, acelerando uma redistribuição dos interesses industriais globais — exemplos anteriores incluem a indústria de semicondutores japonesa nos anos 1980 e a indústria de painéis em Taiwan nos anos 2000.

Lógica dos EUA: contribuição por compras justifica participação nos lucros

De acordo com fonte da indústria entrevistada pelo Jornal Coreano, Rick Switzer afirmou durante a reunião com Yoo Han-koo que as aquisições em grande escala de semicondutores sul-coreanos pelas empresas americanas impulsionaram diretamente o crescimento dos lucros das fabricantes coreanas de chips, razão pela qual os EUA também teriam direito a uma parcela desses lucros.

"A lógica americana é: se os parceiros domésticos da Coreia do Sul têm direito a participação por contribuírem com parte dos lucros, então as empresas americanas também deveriam ter esse mesmo direito", disse a fonte. Um alto funcionário do governo sul-coreano também confirmou ao Jornal Coreano que os EUA realmente apresentaram tal proposta, mas sem fornecer maiores detalhes.

O Jornal Coreano entrou repetidamente em contato com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, com o Departamento de Comércio e o Departamento do Tesouro para comentários, mas não obteve resposta. Um funcionário do Ministério do Comércio, Indústria e Energia da Coreia do Sul afirmou não estar a par do caso, e reiterou que a posição básica da Coreia do Sul é que "questões industriais devem ser tratadas com base em princípios de racionalidade comercial".

Lições históricas: altos lucros frequentemente desencadeiam intervenção política

O relatório da CITIC Securities detalha dois casos emblemáticos que revelam a lógica de ação do governo dos EUA em contextos similares.

  • Semicondutores japoneses (década de 1980): Após o rápido crescimento da indústria de semicondutores japonesa e a consequente perda de competitividade das empresas americanas, o governo dos EUA, impulsionado por empresas e associações setoriais, pressionou o Japão por meio de tarifas, investigação 301, o Acordo EUA-Japão de Semicondutores e tarifas punitivas de 100%. O impacto destas políticas, aliado ao colapso da bolha econômica japonesa, provocou uma redistribuição global dos lucros e da participação de mercado no setor de semicondutores. Vale ressaltar que a parcela de mercado perdida pelo Japão não retornou aos EUA, mas beneficiou a Coreia do Sul, em virtude de políticas de incentivo.
  • Painéis de Taiwan (década de 2000): Em 2006, a participação de Taiwan no mercado global de painéis LCD de grande dimensão atingiu o topo. No mesmo ano, o Departamento de Justiça dos EUA iniciou uma investigação antitruste, alegando manipulação de preços, e as principais fabricantes de painéis de Taiwan arcaram com mais de US$ 800 milhões em multas criminais, além de diversos executivos condenados à prisão. O impacto político, somado à crise financeira e ao declínio do ciclo industrial, levou à transferência dos lucros e da participação no mercado global de painéis para a China continental.

A CITIC Securities aponta que estes dois casos revelam uma tendência comum: quando os altos lucros de empresas estrangeiras passam a ser vistos pelo governo dos EUA como ameaça à competitividade local, a intervenção política ocorre, geralmente por meio de um conjunto de instrumentos, como comércio, indústria ou regulação antitruste.

Cenário atual: prioridade para oferta, pressão política ainda restrita

Na visão da CITIC Securities, o fator chave para determinar se os lucros elevados das fabricantes de memória da Coreia do Sul vão motivar intervenção do governo americano é entender o mecanismo de decisão de suas políticas tecnológicas e econômicas.

No momento, tais políticas seguem sendo coordenadas pelo núcleo da Casa Branca, incluindo figuras como Trump e Bassett, e, com o avanço da influência da ala tecnológica conservadora, como Michael Kratsios e David Sacks, grandes empresas de tecnologia americanas também passam a ter voz crescente na definição da agenda. Uma vez estabelecido o posicionamento pelo círculo central da Casa Branca, órgãos como o Departamento de Comércio, USTR, Departamento de Justiça e FTC executam as ações por meio de ferramentas de comércio, políticas industriais e antitruste.

No estágio atual, com a forte demanda por IA, as empresas americanas estão mais preocupadas em garantir o fornecimento de memória e menos em pressionar por preços ou lucros menores das empresas sul-coreanas. No âmbito político, continua prevalecendo a associação entre a estratégia MAGA e políticas industriais para tecnologia, incentivando empresas coreanas a expandir produção nos EUA, o que gera empregos e reaproxima cadeias de suprimento. Ainda que haja vozes pontuais contrárias ao aumento dos preços da memória sul-coreana nos Estados Unidos, vindas de políticos, associações setoriais e consumidores, não há, por enquanto, uma pressão política articulada e sistêmica.

Ponto crítico de risco: capacidade de repassar custos é o fator chave

A CITIC Securities destaca que, enquanto for possível repassar os custos da memória ao setor downstream, o aumento de preços será visto como parte da expansão do mercado de IA, limitando o ímpeto por intervenção política. Porém, se a tendência de alta se mantiver e comprimir de forma significativa os lucros e retornos dos investimentos das empresas americanas, a lucratividade das fabricantes de memória coreanas pode passar a ser vista como uma ameaça à competitividade dos EUA na área de IA.

O relatório recomenda atenção a dois sinais: primeiro, se gigantes da tecnologia americana deixarem de focar no fornecimento garantido e adotarem uma postura abertamente contrária ao aumento de preços; segundo, se os formuladores de políticas públicas passarem do incentivo à oferta e expansão nos EUA para o uso de justificativas como “monopólio”, “manipulação de preços” ou “segurança da cadeia de suprimentos” para intervir.

As declarações de Rick Switzer podem ser um indicativo precoce de que este risco começa a se manifestar. Para SK hynix e Samsung Electronics, a disputa entre EUA e Coreia do Sul no setor de semicondutores está, de forma sutil, migrando da questão da localização industrial para o campo da partilha dos lucros.

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