Bitcoin: Bitdeer se torna o número 1… ao mudar as regras do jogo
A mineração de Bitcoin adora pódios. Um número sobe, outro desce, e o ecossistema conta para si mesmo uma história simples. Exceto que, nesta indústria, a forma como você faz a contagem importa quase tanto quanto as máquinas. E é exatamente isso que torna o “momento Bitdeer” interessante. Bitdeer afirma ter alcançado 71 EH/s de hashrate total “sob gestão” no final de dezembro de 2025. De acordo com essa métrica, a empresa ultrapassa a MARA, que relata 61,7 EH/s de “Energized Compute” e uma eficiência de frota de 19 J/TH. O título de “maior mineradora de Bitcoin” depende, portanto, antes de tudo, da definição.
Em resumo
- Bitdeer ultrapassa a MARA com 71 EH/s, posicionando-se como número 1 em “hashrate gerenciado”.
- No entanto, as métricas não são as mesmas: Bitdeer combina mineração própria e hospedagem, enquanto a MARA relata um hashrate “energizado”.
- Bitdeer está impulsionando seus chips SEALMINER e acelerando sua transição para IA/HPC.
Minerar Bitcoin: Um trono construído sobre uma definição
Bitdeer não diz apenas “nós mineramos bitcoin”. Bitdeer diz: nós gerenciamos. Em seus 71 EH/s, a empresa soma sua mineração própria (55,2 EH/s) e máquinas hospedadas (rigs operadas para terceiros). Em seus 71 EH/s, ela combina mineração própria e máquinas hospedadas para terceiros, operadas em suas infraestruturas. É uma visão ampla, quase em nível de “indústria”.
Já a MARA destaca uma medição mais rigorosa. Seu comunicado ao público fala de Energized Compute, ou seja, o hashrate realmente energizado, conectado, ativo. O número é limpo, legível, e vem acompanhado de outro sinal: a eficiência energética da frota. É outra forma de explicar a mineração de Bitcoin para o mercado.
O resultado é estranhamente lógico. Estamos comparando dois termômetros que não medem a temperatura no mesmo lugar. E a Bitdeer ganha uma vantagem narrativa: impor seu indicador de “hashrate sob gestão” na conversa já altera as regras do ranking.
SEALMINER: a arma silenciosa
O ponto em que a Bitdeer realmente se torna perigosa não está apenas em uma métrica. Está na tecnologia. E anuncia que o chip SEAL04-1 apresentou uma eficiência de cerca de 6–7 J/TH no nível do chip durante a verificação, em modo de baixa potência, com produção em massa prevista para o primeiro trimestre de 2026.
Em outras palavras: a Bitdeer quer controlar mais da sua cadeia. Ser menos dependente do mercado de ASICs, produzir mais, integrar mais. É uma estratégia que vai além da mineração de Bitcoin “clássica”. Não se trata mais apenas de comprar máquinas. Trata-se da capacidade de decidir o ritmo da evolução da frota.
E os números de produção servem como vitrine. A Bitdeer afirma ter minerado 636 BTC em dezembro de 2025, contra 145 BTC em dezembro de 2024. A aceleração é clara. O detalhe importante permanece fora de cena: quantas máquinas, quais gerações, qual custo energético. Mas o efeito na narrativa do bitcoin é imediato.
O verdadeiro jogo: IA, energia e tesouraria
O cenário mudou. Minerar bitcoin já não é mais um fim em si mesmo. O acesso à energia e a edifícios “prontos para energia” tornam-se uma plataforma de lançamento para HPC e IA. Nessa perspectiva, alguns mineradores estão mais dispostos a vender sua produção para financiar infraestruturas que sobreviverão a múltiplos ciclos.
Em contrapartida, a MARA cultiva uma postura diferente. A empresa destaca uma estratégia de reserva, com mais de 50.000 bitcoin em tesouraria, apresentada como resultado de uma abordagem HODL e uma acumulação estruturada. É outro estilo: menos “fábrica”, mais “cofre de guerra”.
E o mercado decide sem sentimentalismos. Em 14 de janeiro de 2026, BTDR é negociada a cerca de US$ 12,77 e MARA a cerca de US$ 10,95. Bitdeer pode conquistar o título de hashrate gerenciado, enquanto a verdadeira batalha é travada em energia, chips, disciplina financeira... e na capacidade de se manter firme quando a dificuldade do Bitcoin acelera. Enquanto isso, .
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