Marcos históricos para vacina de mRNA contra o câncer! Moderna (MRNA.US) e Merck (MRK.US) têm sucesso em ensaio clínico para melanoma, ações disparam 80% antes da abertura do mercado
A Moderna Inc. e a Merck anunciaram que sua vacina personalizada contra o câncer conseguiu reduzir o risco de recidiva do melanoma em um grande ensaio clínico de fase avançada, marcando um importante marco para terapias de câncer baseadas em tecnologia de mRNA.
Segundo o APP da Jinse Finance, a Moderna Inc. (MRNA.US) e a Merck (MRK.US) anunciaram que a sua vacina personalizada contra o câncer conseguiu reduzir com sucesso o risco de recidiva do melanoma numa grande fase final de estudo, marcando um marco importante no desenvolvimento de terapias contra o câncer baseadas em tecnologia mRNA. O estudo alcançou o objetivo principal—os dados mostram que a vacina em combinação com o medicamento imunoterápico Keytruda da Merck, em comparação com o uso isolado de Keytruda, pode reduzir a taxa de recidiva do melanoma. As duas empresas declararam numa nota na quarta-feira que o estudo também atingiu o objetivo secundário crucial, comprovando que a vacina ajuda a prevenir a disseminação do tumor para outras partes do corpo.
As duas empresas afirmaram que este é o primeiro resultado positivo de fase final para qualquer terapia oncológica baseada em mRNA. Impulsionada por esta notícia, as ações da Moderna dispararam mais de 100% nas transações pré-mercado em Nova Iorque. À hora da publicação, saltavam 80% no pré-mercado, enquanto as ações da Merck subiam cerca de 7,2%.
Os dados detalhados sobre o grau específico de melhoria proporcionado pela vacina em relação ao tempo de sobrevivência sem recidiva (ou seja, o tempo em que o câncer do paciente não reaparece) ainda não foram divulgados. O ensaio continua, avaliando se os pacientes vacinados podem usufruir de um tempo de sobrevivência total mais longo.
O melanoma é o tipo mais grave de câncer de pele. De acordo com a American Cancer Society, cerca de 112 000 pessoas são diagnosticadas com melanoma anualmente nos EUA, e aproximadamente 8 500 morrem devido à doença.
Segundo declaração das duas empresas, irá discutir-se o envio do pedido aos reguladores para autorização de comercialização, e os dados pertinentes serão apresentados nas próximas conferências médicas. O CEO da Moderna, Stéphane Bancel, afirmou em entrevista que, dependendo da avaliação regulatória, o produto poderá ser aprovado já em 2027.
Bancel declarou: “Este é um marco extraordinário na ciência do mRNA.”
A ciência subjacente ao desenvolvimento conjunto desta vacina (chamada intismeran autogene) já tem mais de uma década. Esta vacina utiliza a mesma tecnologia de RNA mensageiro da vacina contra a Covid da Moderna, sendo personalizada conforme as mutações específicas do tumor de cada paciente.
No estudo, após a cirurgia de remoção do tumor, os pacientes receberam tratamento com a vacina mRNA em combinação com o Keytruda da Merck. O grupo de controlo recebeu apenas Keytruda, que é o tratamento padrão para evitar recidiva em pacientes de alto risco.
O objetivo é que as duas terapias atuem de forma sinérgica, treinando o sistema imunitário para atacar qualquer célula tumoral residual.
Graças às expectativas geradas por esta vacina contra o câncer, as ações da Moderna acumularam uma valorização de 113% desde o início do ano até ao encerramento de terça-feira. O teste do melanoma é visto como uma avaliação crucial da eficácia do método. Merck e Moderna também estão a realizar ensaios em outros tipos de câncer, incluindo câncer do pulmão, mas o estudo sobre melanoma está mais avançado.
Cientistas vêm, há muito tempo, perseguindo a ideia de vacinas capazes de mobilizar o sistema de defesa do corpo para combater o câncer, ensinando o sistema imunitário a reconhecer as impressões moleculares do tumor e a destruir células remanescentes. Contudo, até agora, foi extremamente difícil fazer funcionar este tipo de vacina.
Jane Healy, responsável pelo desenvolvimento precoce de oncologia na Merck, afirmou em entrevista semanas antes do anúncio dos dados: “Vacinas terapêuticas sempre foram o ‘Santo Graal’ da oncologia. As pessoas têm tentado de várias formas há mais de um século.” Ela destacou que um dos potenciais benefícios destas vacinas é prolongar a sobrevivência sem aumentar significativamente os efeitos colaterais.
No início deste ano, as duas empresas declararam que, num estudo intermédio, pacientes com câncer de pele que receberam a vacina mRNA junto com Keytruda tiveram um risco de morte ou recidiva do câncer, ao fim de cinco anos, 49% menor do que os pacientes que receberam apenas Keytruda.
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